Primeiro casamento após 50

O primeiro beijo entre a universitária Kalita Rissa Santos de Oliveira, 20 anos, e o professor Aéliton Ramos Moreira, 26, enfim, aconteceu. Foi no altar, durante a cerimônia de casamento, em Guarapari, após cinco anos, dois meses e 12 dias de namoro. Uma emoção que, segundo o casal, valeu a pena esperar. “Foi muito além do que eu ... A França celebra hoje o primeiro casamento gay após a promulgação da lei que autoriza o casamento e a adoção para casais homossexuais, no último dia 18. Vincent Autin, 40 anos, e Bruno ... Enfim, juntos 04/11/2019 10h06 Atualizada em 04/11/2019 11h03. Casal se reencontra após quase 50 anos e comemora o primeiro ano de casamento Naturais de Cachoeira do Sul, Eloísa e Claire ... Festa de Primeiro de tudo, em uma tentativa de salvar seu casamento após a infidelidade, cônjuge lesado deve estar pronto para aceitar o mal feito por outros. Este é o primeiro passo, porque sem aceitação, todos os esforços para salvar o seu casamento será inútil. Em seguida, deve haver remissão. O relato da atriz Luana Teixeira, 34 anos, sobre os motivos que desencadearam o fim de seu primeiro casamento não são incomuns. De acordo com um estudo realizado pelo ChannelMum.com, uma comunidade de pais no Reino Unido, um terço dos casais sofre problemas de adaptação nos primeiros meses após o nascimento do bebê, enquanto um quinto se ... O primeiro passo da cerimônia é o casal estar em um grupo e o noivo começar a cerimônia no NPC Padre Derrial e todos devem esperar três minutos para o juramento do rito matrimonial ser feito. Logo após, um boss chamado “Ex-ciumento” irá aparecer e todos deverão derrota-lo para que ele não atrapalhe o casamento.

O futuro de A Espada Juramentada

2020.01.24 03:41 altovaliriano O futuro de A Espada Juramentada

Como explicado no texto anterior, o tom subliminar no fim de A Espada Juramentada é sinistro. O casamento entre Rohanne e Eustace é repleto de desvantagens e potenciais tragédias, mas até o momento desconhecemos as consequências da solução inortodoxa de casar Webber e Osgrey. Porém, talvez possamos estabelecer algumas projeções para o futuro com base nos indícios obtidos em outros livros.
É consenso entre o fandom de As Crônicas de Gelo e Fogo que Rohanne Webber se tornou Rohanne Lannister ao casar-se com Gerold Lannister, o que faz dela a avó de Tywin Lannister. Embora essa conexão nunca tenha sido feita em qualquer livro (nem mesmo no Mundo de Gelo e Fogo), a completa escassez de outras Rohannes em todo o cânone das Crônicas nos permite inferir isso através de pura lógica.
De fato, o interesse de Gerold Lannister em Rohanne Webber não é uma especulação de fã. É uma especulação feita pelos próprios personagens de Dunk & Egg, durante a análise dos pretendentes de Rohanne:
[...] Cleyton Caswell e Simon Leygood têm sido os mais persistentes, embora pareçam mais interessados nas terras do que na pessoa dela. Se eu fosse dado a apostas, colocaria meu ouro em Gerold Lannister. Ele ainda tem que aparecer por aqui, mas dizem que tem cabelos dourados e é rápido de raciocínio, e tem mais de um metro e oitenta...
– ... e a Senhora Webber é muito ligada às cartas dele. – A senhora em questão estava parada na porta, ao lado de um jovem meistre desajeitado, com um grande nariz adunco. – Você perderia a aposta, cunhado. Gerold nunca vai deixar voluntariamente os prazeres de Lannisporto e o esplendor do Rochedo Casterly por alguma pequena propriedade. Ele tem mais influência como irmão e conselheiro de Lorde Tybolt do que jamais poderia esperar ter como meu marido. [...]
(A Espada Juramentada)
Neste diálogo temos evidências de que, por algum motivo, Gerold e Rohanne se correspondem e que há atração entre ambos, mas que Rohanne não acredita que o segundo herdeiro Lannister tenha interesse o suficiente para desposá-la, enquanto que seu cunhado pensa o contrário.
Portanto, quem nos introduziu à ideia de que Gerold poderia aparecer a qualquer momento para tomar a tantas vezes viúva Webber para si foi o próprio GRRM. Assim, não é de se espantar que o fandom tenha pulado direto ao assunto quando viu o nome de Rohanne (sem o sobrenome) ter sido citado como “amada segunda esposa” de Gerold Lannister.
Este tipo de conclusão nos leva a mais perguntas: Quando Alysanne e Eustace morreram para que Gerold e Rohanne tenham ficado livres para que Lannister e Webber pudessem se unir? O que aconteceu com Fosso Gelado depois que Rohanne foi morar em Rochedo Casterly?
Mas O Mundo de Gelo e Fogo não encerra as esquisitices envolvendo Rohanne com seu casamento e filhos. Também ficamos sabendo que a Viúva Vermelha “desapareceu em circunstâncias misteriosas em 230 d.C., menos de um ano depois de dar à luz o quarto e mais jovem filho de sua senhoria, Jason” (TWOIAF, As Terras Ocidentais: Casa Lannister sob os dragões).
Assim, os mais interessantes personagens secundários de A Espada Juramentada parecem fadados ao mistério, o que acrescenta mais uma pergunta à lista anterior “O que levou ao desaparecimento de Rohanne?”. Para tentar entender o que aconteceu a cada um deles precisamos ir respondendo perguntas em ordem.

A morte de Alysanne Farman

Não sabemos quando Gerold e Alysanne se casaram. Apenas sabemos que Gerold estava solteiro e era contado entre os pretendentes de Rohanne em 211 DC (ano em que se passa A Espada Juramentada). Não há como saber se ele nunca havia se casado ou já era viúvo de Alysanne.
Há entre o fandom uma impressão de que ele já era viúvo, decorrente de a Wiki of Ice and Fire afirmar (sem qualquer evidência) que Alysanne teria morrido “em ou antes de 211 DC”. Da minha parte, as menções aos “prazeres de Lannisporto e o esplendor do Rochedo Casterly” me deu a ideia de que Gerold sequer havia se casado pela primeira vez e estava aproveitando a solteirice. Porém, quem pode dizer ao certo? Certamente não eu.
O certo é que Alysanne teria que ter morrido antes de que Gerold desposasse Rohanne. Sabendo que Tytos Lannister nasceu em 220 DC, seus irmãos gêmeos mais velhos Tywald e Tion teriam que ter nascido ao menos no ano anterior, 219 DC. Dessa forma, a primeira esposa de Gerold não poderia ter morrido depois dessa data.

A morte de Eustace Osgrey

Assim como Alysanne, Eustace Osgrey não poderia ter morrido após 219 DC, pois, caso contrário o nascimento de Tywald e Tion seria absolutamente impossível. Porém, para Eustace, morrer no ano de 219 DC teria mais significado do que para Alysanne, uma vez que foi neste ano em que teve início a Terceira Rebelião Blackfyre.
De fato, diante de tudo que presenciamos, seria natural que pensássemos que, por melhor que ele tenha se saído como consorte de Rohanne nos anos seguintes aos eventos de A Espada Juramentada, ele voltaria a se unir aos Blackfyre se houvesse nova chance. Afinal, Eustace é um homem de mais de 50 anos, leal e teimoso. E cães velhos não aprendem truques novos.
Uma vez que Dunk & Egg provavelmente lutaram durante a Terceira Rebelião, talvez veremos Sor Eustace novamente em uma futura novela de Dunk & Egg.
A nova derrota poderá significar sua execução e talvez até alguma culpa possa resvalar em Rohanne. Dentro desta hipótese Gerold poderia casar com Rohanne para evitar sua morte. Mas ela também pode simplesmente ficar disponível diante da viuvez, livre de qualquer responsabilidade sobre os atos de Eustace.
Voltaremos a explorar ambas as hipóteses a seguir. Por enquanto basta entender que Eustace não poderia ter morrido depois de 219 DC e seria muito pertinente que ele morresse naquele ano, no contexto da Terceira Rebelião Blackfyre.

Fosso Gelado após o casamento de Rohanne com Gerold

É de se imaginar que o casamento de ambos resultasse na ascensão do primo Wendel Webber à condição de Senhor de Fosso Gelado. Afinal, cogitar que Rohanne simplesmente acumularia o título de Senhora de Fosso Gelado e Rochedo Casterly parece um pouco forçado.
Porém, a continuidade e sucessão do poder dos Webber sobre Fosso Gelado dependeria de sua lealdade Trono de Ferro (lado vencedor de todas as Rebeliões Blackfyre). Assim, assumindo que os Webber-Osgrey não tivesse se aliado aos Blackfyre, ou ao menos que os Webber não levassem a culpa por atitudes de Eustace na Terceira Rebelião, o controle dos Webber sobre Fosse Gelado estaria seguro.
Entretanto, como dito acima, seria muito pertinente que Eustace tivesse participado da Terceira Rebelião apoiando os Blackfyre com o poder de Fosso Gelado. Neste hipótese, quando a derrota viesse, a reincidência de Eustace custaria sua vida e a participação dos Webber custaria seus domínios.
Dessa forma, a Casa Webber perderia seus prestígio e bens e Rohanne, viúva pela quinta vez, seria absorvida para a Casa Lannister, por um homem que manteve-se interessado por ela ao longo os anos, Gerold.
Pode parecer que eu estou especulando livremente sobre este assunto, mas na verdade estou tentando desenhar uma linha entre dois pontos soltos. O primeiro ponto solto é a proximidade da Quarta Rebelião com todas as datas estimadas acima. O segundo ponto solto é a existência de um suposto integrante da Casa Webber na companhia mercenária Soprados, quase 90 anos depois:
O Príncipe Esfarrapado continuou como se ninguém tivesse falado.
Webber, você sonha reivindicar as terras perdidas em Westeros. Lanster, eu matei aquele menino pelo qual você era tão afeiçoado. Vocês três, dornenses, acham que menti para vocês. A pilhagem em Astapor foi muito menor do que prometeram para vocês em Volantis, e eu fiquei com a parte do leão.
(ADWD, O Soprado pelo Vento)
Assim, me parece que a Terceira Rebelião Blackfyre seria o momento ideal para que essas terras fossem perdidas. O que faria do mercenário Webber um provável descendente do primo Wendel.

O desaparecimento de Rohanne

Este é o evento futuro mais comentado entre os leitores. Especialmente porque as circunstâncias foram expressamente chamadas de “misteriosas”. Pessoas normais entenderiam que isto seria um sinal de que GRRM vai guardar segredo até quando puder. Mas fandoms não são feitos para pessoas normais.
Não surpreende, portanto, que a especulação mais disseminada seja a mais absurda. Em resumo, alega-se que Rohanne fugiu de Rochedo Casterly para se unir aos Blackfyre, assumiu o nome de Calla e se casou com Aegor Rivers, o Açoamargo. Na verdade, postula-se que Rohanne sempre foi a filha de Daemon, só estava sendo criada pelos Webber sob disfarce.
Obviamente nenhuma parte dessa teoria suporta qualquer tipo de auditoria. Desde as datas de nascimento até a idade de Rohanne quando ela teria fugido para se casar. Com 44 anos de idade, seria difícil que ela tivesse produzido um herdeiro para Aegor. Infelizmente, essa crítica perde força quando levamos em conta que, em 2018, GRRM disse que Açoamargo não teve filho algum. Portanto, seu relacionamento com Calla não era marcado pela busca por um herdeiro.
No final, eu acho que GRRM não deixou indícios o suficiente para sequer formularmos um hipótese.
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2020.01.03 06:49 Doomguy1234 Hoje eu dei uma chance ao amor...

Eu nunca namorei. Tenho 18 anos e nunca namorei. Já tive um total de duas quedas por outras garotas.
Uma delas nasceu em 2018. Foi um tempo depois de ter criado uma página no instagram só pra lançar interpretações de letras de músicas que eu gostava sem que me enchessem o saco. Do nada, uma garota desconhecida, não ligada a música começa a me seguir. Eu fico curioso e mando uma DM pra ela. Conversa vai, conversa vem; os dias passam e ela oferece o WhatsApp para continuarmos conversando regularmente. Encontramos um no outro uma amizade inesperada. Somos ambos de cidades diferentes, nunca nos vimos pessoalmente e ainda assim conversávamos bastante! Eu começo a sentir algo a mais por ela, mas eu acabo sufocando esse sentimento pelo medo que tive de um primeiro relacionamento, ainda mais à longa distância. Eventualmente paramos de nos falar, especialmente depois que entrei na faculdade ano passado. Atualmente ela namora, e eu estou muito feliz por ela, especialmente porque ela se despediu decentemente de mim e nunca me manipulou ou algo assim.
Por falar em faculdade, minha segunda queda também aconteceu à distância. Os vets colocaram todos os bixos num grupo. A gente tava conversando de boa sobre montar banda, o que esperávamos dos cursos, enfim. Quando uma garota me chama para conversar no privado. Lembro como se fosse hoje: “você parece ser um cara legal”. Aquilo fez o meu dia! A gente foi conversando, fez uma aposta (que eu perdi) no duolingo e tudo parecia bem com a gente. Mas daí a faculdade chegou batendo né kkkkkk... Ela era de outro curso, e nossos intervalos muito raramente batiam. As lições acabaram me convencendo a passar a maioria do meu tempo focado somente nos estudos e a gente parou de se falar. Uns tempos depois ela também começou a namorar. Àquela altura, eu estava me sentindo um lixo de pessoa. Eu não conseguia fazer amigos na sala ou na faculdade como um tudo, passava o dia, essencialmente, sozinho. Até mesmo em casa, já que eu não gosto de ficar muito no pé da minha mãe, enfermeira de uma UPA de periferia. Além disso, Engenharia Mecânica MUITO FODA de lição. Puta que o pariu. Foi nesse começo de ano que fiz meu primeiro desabafo aqui e deixei isso virar um hábito por uns 4 meses.
Pula pra novembro. Eu já tinha alguns amigos com quem eu sempre jogo Can-Can nos intervalos mas nunca passou muito disso. Eu já havia desistido de me apaixonar, pelo menos até me ajeitar e cuidar de mim mesmo. Não suporto ser fardo para outra pessoa, ainda mais emocional. Vasculhando o NeedAFriend , eu encontrei um servidor no Discord que prometia ser um refúgio para quem se sente sozinho. E eu, que não consigo socializar quase nada comprei a ideia. Se fosse ruim era só cair fora e obedecer o Coronel Fábio (Esquece essa merda aí porra). Entrei. Honestamente não era assim tão melhor no começo. Mas daí em um dos canais do servidor, voltado para uma atividade contagem (Isso mesmo, vai do 1,2,3,4, até o infinito e além) eu conheci alguém...
Ficamos contando centenas de números que nem um bando de retardados, mas pelo menos nos divertimos kkkkkkkkkkkkk. Não parecia muito de uma interação na hora, mas era a primeira coisa que fiz com alguém lá. Tempos depois fomos nos falando cada vez mais nas conversas de grupo. E mais. E mais. E mais...
Há alguns dias estávamos zoando com o bot do servidor e ela ficou curiosa a respeito de um comando de casamento. Ela se perguntou com quem ela iria testar (estávamos em 3 naquela hora) e eu me ofereci. Não havia nada melhor pra fazer, então que se dane. Ali nos “casamos”. Daí eu me divorciei para ver como era kkkkkkkk. No entanto a gente acabou gostando da ideia de ter mais um casal midiático no servidor e “casamos” de novo. A partir daí, as coisas foram crescendo entre a gente. Começamos a conversar por horas nas DMs. A fazer muitas piadas sobre casais. Até ontem...
Há um canal de flertes no servidor e ela estava de zoeira com outra garota que dizia que não havia com quem flertar. Ela disse “flerte comigo então” e eu mandei abaixo “Mas você não é casada? /s”. Um tempo depois ela me perguntou se eu queria que ela flertasse comigo e eu respondi... “Sim /s”. Nós flertamos com aquelas cantadas de pedreiro. Ela me disse que eu flertava bem melhor que ela. Eu disse que talvez devesse usar os flertes no meu primeiro encontro. Ela disse “Você se casou comigo e nunca tivemos um encontro”. Naquela hora eu comecei a pensar milhões de coisas. Eu realmente estava sentindo algo por aquela garota, mas o medo de manter um relacionamento à distância estava gritando dentro de mim.
Eu não sei da onde arranquei forças para perguntar: “você está pedindo para sair comigo?”
Ela responde: “Não sei. Você quer que eu peça?”
Ali, BEM ALI, eu me senti muito nervoso. Muito medo pesando o peito, muita vergonha de receber uma pergunta daquelas e eu não sabia se ela sentia o mínimo do que eu havia cultivado por ela. Num momento de muita adrenalina eu disse: “Honestamente? Sim”
Nos revelamos tensos e envergonhados um pelo outro, ambos surpresos e perplexos com nossas respostas. Resultado: ela me chamou para o tal “encontro”. Ele aconteceu mais ou menos das 23:40 até 1:50 de hoje.
Sabe o que é louco nisso tudo? Ela é das Filipinas! Eu me fechei a duas garotas do estado de São Paulo, mas escolhi me abrir a uma das Filipinas...
Antes de ela pedir que eu fosse dormir (nós temos essa coisa de querermos dormir não muito tarde para evitar complicações kkk), eu me abri totalmente para ela. Já era óbvio que havia algo entre nós, mas eu resolvi tirar o que eu sentia por ela do meu peito. Escrevi um baita textão me declarando após o “encontro”. Ela também se declarou pra mim: “só saiba que é uma coisa mútua entre a gente”. Eu só não saí gritando e pulando de alegria porque estou dividindo o quarto com outras três pessoas hoje kkkkkkkkkkk. Mas eu me senti extremamente aliviado de finalmente dar uma chance ao amor!
Uma garota das Filipinas e um garoto que estava quase sem esperanças para o amor. Quem diria que assim seria o meu primeiro relacionamento! Pode parecer coisa de nerd, relacionamento via Discord, mas foda-se. Eu não sei ao certo porque vim aqui desabafar (deve ser porque não me abro pessoalmente a ninguém) mas foda-se! Eu sei que hoje eu durmo feliz porque sei que alguém diferente me ama pelo que sou...
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2019.07.21 00:26 fidjudisomada ICC 2019, #1: SL Benfica 3-0 CD Guadalajara

BRUNO LAGE: “MUITO SATISFEITO COM O TRABALHO DE TODOS”
O treinador do Benfica deixou elogios ao grupo de trabalho após o 3-0 ao Chivas no jogo de estreia na International Champions Cup.
O Benfica entrou nesta edição da International Champions Cup a vencer o Chivas, por 3-0. No final da partida, em conferência de Imprensa, Bruno Lage analisou a exibição coletiva e mostrou-se satisfeito com as dinâmicas apresentadas após três semanas de trabalho.
Análise à exibição da equipa
“Fizemos um bom jogo, independentemente do resultado. É importante vencer, mas, neste momento, o mais importante é vermos a dinâmica da equipa. Estamos muito contentes por, após três semanas de trabalho, jogar com esta qualidade. Temos de ir ao encontro da intensidade que nos caracteriza e isso só acontece com jogos. Estamos à procura da melhor forma. Neste momento não dou importância ao resultado. Temos de olhar para nós. Até dia 4 de agosto, os resultados não me interessam, mas sim a análise feita à equipa.”
O “casamento” de Raul de Tomas e Seferovic na frente
“Estou muito satisfeito com o trabalho de todos. São os jogadores que criam as dinâmicas. Temos a perceção do que fizemos no jogo, agora vamos analisá-lo e perceber os espaços que cada um procura quando jogam juntos, procurar essa dinâmica. Houve um momento ou outro no jogo em que ambos procuravam o mesmo espaço, mas isso é normal nesta fase em que se estão a conhecer. Muito satisfeito também com a prestação do Jota, que entende melhor o nosso jogo.”
Boa resposta à tática do Chivas
“Foi interessante porque o Chivas jogou em dois sistemas. Tínhamos a indicação de que poderiam jogar em 4x3x3 como jogaram com a Fiorentina. Mas apresentaram-se com uma linha de cinco defesas e depois alteraram para 4x4x2. Os jogadores, dentro de campo, conseguiram ajustar-se em função do sistema adversário e isso deixa-nos satisfeitos. Tivemos momentos muito bons, quer com bola, quer sem bola. Agora é proporcionar o máximo volume de jogo a todos para começarem a jogar na atitude que pretendemos.”
A integração de Raul de Tomas
“Raul de Tomas? Estou satisfeito com o trabalho de todos. Os avançados têm um trabalho enorme porque são os primeiros a defender. O Seferovic até brinca e diz que o treinador só lhe pede para correr, correr, correr… Viram o trabalho defensivo que fez, marcou o golo e foi o homem do jogo. Quando os avançados deixarem de correr, não vamos conseguir jogar desta maneira. Já conhecíamos o Raul de Tomas, sabíamos que tem golo e agora é conhecermo-nos dentro e fora de campo. Está a ser muita positiva a integração dele.”
Ser competitivo para evoluir a cada dia
“Gosto de me deitar e acordar a pensar que tenho de fazer mais e melhor. É um lema de vida e é isso que tento passar aos jogadores. Há sempre alguém a lutar para ter o meu lugar. Da baliza até ao ponta de lança estamos no mercado para trazer competitividade ao plantel. Queremos e estamos a construir uma equipa que seja sempre competitiva, para que possamos dar passos em frente para evoluir. Não só no Campeonato, mas para fazer uma boa Liga dos Campeões. Temos de trazer competitividade para o plantel, mas estou satisfeito com todos. Não vou falar de jogadores sem que integrem a comitiva antes.”
Nuno Tavares a lateral-direito: a explicação
“O Nuno Tavares consegue desempenhar bem as duas funções. É certo que melhor à esquerda do que à direita. O Tyronne Ebuehi está a recuperar de lesão e as indicações que tínhamos era de lhe dar 15/20 minutos de jogo; o André Almeida está perto de recuperar para recomeçar. As oportunidades são dadas, todos têm de fazer pela vida porque os resultados a partir de 4 de agosto já começam a valer. Vamos avançar com o melhor onze nessa altura. Ninguém fica para trás, mas, quem começar a ter rendimento mais cedo, entra na equipa.”
A CRESCER COM QUALIDADE E GOLOS
O Benfica entrou da melhor maneira (com exibição segura e vitória) na International Champions Cup 2019.
Uma exibição muito bem conseguida, acompanhada de eficácia nas zonas de finalização, encaminhou o Benfica para um triunfo motivador sobre o Chivas (3-0) na estreia das águias na International Champions Cup 2019.
Um golo na primeira parte e dois no segundo tempo, com três autores diferentes (Raul de Tomas, Rafa e Seferovic), adocicaram o jogo no Levi's Stadium, na Califórnia, perante um oponente que está prestes a iniciar a competição oficial, no México.
Debaixo de calor (às 13h00 locais, 21h00 em Portugal Continental), mas solta e decidida a impor o seu futebol, a equipa benfiquista teve no pé esquerdo de Gabriel uma primeira tentativa para alvejar a baliza do Chivas (2'). No lance seguinte foi Raul de Tomas, de fora da área, a errar as redes por muito pouco.
Práticos e incisivos na exploração de combinações pelos flancos, os encarnados desenharam pelo lado esquerdo o lance do golo inaugural quando estavam decorridos apenas quatro minutos. Caio Lucas, numa excelente iniciativa, rompeu, com técnica e velocidade, e cruzou com precisão para o toque final de Raul de Tomas sobre o segundo poste. Com uma excelente movimentação na área, o camisola nove das águias (que fez dupla de ataque com Seferovic) procurou o sítio exato para concluir a jogada e assinar o 1-0.
Interpretando com rigor os preceitos idealizados pelo treinador Bruno Lage, os jogadores do Benfica davam largura e profundidade ao jogo, com uma circulação de bola segura e objetiva (62% de posse no primeiro tempo), procurando forçar desequilíbrios e descobrir caminhos que os levassem para junto das redes da equipa mexicana.
Muito ativos no coração do meio-campo, Florentino e Gabriel expuseram qualidades nos momentos de criação ofensiva, com bola, mas também nas fases em que era preciso pressionar para recuperar a posse ou retirar espaços ao adversário, de maneira a que não se estendessem no relvado.
Nas laterais, Nuno Tavares (esquerdino) atuou sobre a direita e Grimaldo alinhou no lado esquerdo; ambos se esforçaram no sentido de alongar o jogo da equipa pelos flancos, embora essa tarefa, por uma questão de rotinas, fosse teoricamente mais fácil para o internacional Sub-21 espanhol.
No primeiro tempo, o Benfica dispôs de três cantos, todos executados por Pizzi e de maneiras diferentes, numa demonstração de variedade de soluções para surpreender o adversário.
Na baliza das águias, Odysseas raramente foi chamado a jogo na etapa inicial. Porém, quando "desafiado" pelos atacantes do Chivas, o internacional grego mostrou qualidade em três momentos seguidos da mesma jogada, ao minuto 42, conservando a vantagem (1-0) com que o Benfica chegou ao intervalo.
O Chivas reagiu no arranque da segunda parte e, apostando nos remates de meia distância, acertou por duas vezes na barra da baliza encarnada: Ponce (50') e Vega (60') foram os atiradores do conjunto mexicano.
Depois de ter lançado Jardel e Rafa após o intervalo (saíram Rúben e Caio Lucas), Bruno Lage voltou a mexer nas pedras encarnadas ao minuto 66: Samaris, Chiquinho, Taarabt e Jota renderam Gabriel, Pizzi, Florentino e Raul de Tomas.
Seferovic, após um passe de Jota, ficou a centímetros do 2-0 aos 67', num remate cruzado executado sobre o lado direito da área.
O Benfica reassumia por completo as rédeas da partida faturou o 2-0 aos 70': sobre o corredor central, Jota trabalhou a jogada, viu a desmarcação de Rafa e soltou para o 27, que, descaído para a esquerda, já no interior da área, usou o pé direito para enganar o guarda-redes contrário e atirar a bola para dentro da baliza.
A equipa benfiquista robustecia a vantagem e, aos 73', acrescentou-lhe outro golo: na sequência de um ótimo trabalho de Taarabt no meio-campo, seguindo de passe a rasgar para o eixo do ataque, Seferovic correspondeu, controlou a bola e, diante do guardião do Chivas, chutou de pé direito para o 3-0. E o camisola 14 poderia mesmo ter bisado aos 75', mas o cabeceamento foi sacudido para canto pelo guarda-redes.
Aos 79', mais mudanças nas águias: entraram Cervi, Zivkovic, Fejsa e Tyronne; saíram Nuno Tavares, Grimaldo, Seferovic e Ferro.
Já em tempo de compensação (90'+1'), o Chivas ainda enviou uma bola ao poste direito, novamente a partir de um remate de fora da área (livre direto batido por Huerta).
O resultado estava feito: 3-0 para os jogadores treinados por Bruno Lage, que efetuaram mais um teste com nota positiva nesta pré-temporada. Segue-se o embate com a Fiorentina no Red Bull Arena, em Nova Iorque, às 1h00 do dia 25 de julho (horário de Portugal Continental).
Recorde-se o onze inicial do Benfica no jogo com o Chivas: Odysseas; Nuno Tavares, Rúben, Ferro e Grimaldo; Florentino, Gabriel, Pizzi e Caio Lucas; Raul de Tomas e Seferovic.
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2019.01.22 23:30 outra_pessoa Íntegra do discurso de Bolsonaro em Davos

"Boa tarde a todos!
Muito obrigado, professor Schwab!
Agradeço, antes de mais nada, o convite para participar deste fórum e a oportunidade de falar a um público tão distinto.
Agradeço também a honra de me dirigir aos senhores já na abertura desta sessão plenária.
Esta é a primeira viagem internacional que realizo após minha eleição, prova da importância que atribuo às pautas que este fórum tem promovido e priorizado.
Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo.
Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8 segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo, conseguimos a vitória.
Assumi o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica.
Temos o compromisso de mudar nossa história.
Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção.
Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós.
Aqui entre nós, meu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.
Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso Pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido!
Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo.
Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis.
Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco.
Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.
Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos.
Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.
O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste Governo.
Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios.
Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.
Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE.
Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais.
Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia.
Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria.
Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais.
Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos.
Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo.
Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia.
Tendo como lema “Deus acima de tudo”, acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos.
Muito obrigado."
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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