Eu não posso passar por cima dele reddit

Já chorei litros e mesmo assim no outro dia eu sorri. Já ouvi coisas que sinceramente doeram demais. E mesmo sabendo que o dia não seria dos melhores, eu sempre olhava para o céu e acreditava que aquilo tudo ia passar, que depois de um tempo não iria mais doer e que a chuva chegaria à noite para deixar o peito mais leve. Eu realmente sinto que tomei a decisão certa em não reagir, mesmo que o bandido não tivesse arma eu simplesmente não teria força pra me livrar dele. Li todas os comentários, não respondi nenhum de vocês por só poder entrar no Reddit através do PC depois de um certo tempo quando já tinham muitas mensagens acumuladas. Mas eu estava errada. Eu não posso salvar a gente e no final disso tudo a gente não termina junto. Eu desejei que você sentisse o que eu sentia,que me visse como eu te via e que quisesse passar o resto da vida ao meu lado,como eu queria passar ao seu. Mas você nunca conseguiu acompanhar a minha intensidade nessa nossa história. Eu acordo, hmmm, acordei.. Eu olho no espelho e penso “que droga, eu ainda estou aqui”. Como eu não tenho escolha, eu vou tomar um banho para ir pra maldita escola, a água quente desce e por algum motivo meus pulsos ardem, quando eu olho pra eles eu vejo riscos e penso “por quê?”, Eu penso pq eu estou fazendo isso cmg, nesse momento eu penso em parar eu saio do banho, me troco e vou ... Ele liga as vezes e eu nunca tenho paciencia pra falar com ele, eu não sinto a falta dele nem um pouco, e o rancor que eu guardo dele as vezes eu acho que nunca vai passar, ele foi uma pessoa extremamente tóxica na minha vida e agora quer 'bancar o pai preucupado' coisa que ele nunca foi, minha familia as vezes diz que eu não posso odia-lo ... Mas é ele meu potinho de felicidade e por mais que a gente brigue eu amo ele sabe? Ele me arranca os sorrisos mais sinceros. Aquele jeito todo bobão dele mas tão lindo, sinto que com ele eu não preciso ter medo, mesmo de longe eu sinto os braços dele em volta de mim, ele tem um jeitinho só dele de me cuidar, aquele jeito dele que me deixa doida, ele sabe como fazer isso. Posso contar que vi os dois. Tecnicamente é verdade, mas com 6 anos eu não lembro de nada. Talvez devido aos horarios dos jogos da Libertadores. Digo isso porque eu lembro de alguma um evento que ocorreu apenas 6 meses depois. A Copa de 1982. País parando, horarios compativeis com uma criança...

Decisões

2020.09.03 04:41 gui_figueiredo Decisões

Eae galera, tudo bem com vocês? Acho que venho aqui hoje meio que contar parte de uma história, algo que será bom eu colocar para fora nesse momento em um espaço tão coerente que belas pessoas criaram aqui no Reddit. Não querendo me diminuir nem nada, sei que nenhum problema é maior que o outro, todos vivemos nossas próprias batalhas, então não venho aqui com um pesar, mas querendo dividir mesmo com vocês. A questão é que tomar decisões na vida realmente é difícil, hoje em dia tem tantas questões para se tentar, tantos caminhos para se seguir, alguns mais confiáveis, outros meio que incertos, mas parte de minha história é a seguinte. Desde pequeno eu sou apaixonado por automobilismo, por carros, motores e a sensação que tudo isso trás. Para mim um carro não é só um meio de transporte, mas algo realmente importante em que coloco todo meu amor e carinho. Desde pequeno sonho em ser piloto, porém, parentes e entes queridos sempre me disseram que seria difícil, que a nossa condição financeira não era tão propícia para isso pois realmente é um esporte caro, então se tornou aquele sonho beeem distante que foi sumindo com o passar do tempo. Hoje faço faculdade na área de medicina, amo a profissão que estou focado, porém a vontade de ir para as pistas está mais forte do que nunca, além das várias portas que estão se abrindo e do meu treino que estou fazendo mensalmente para alguns campeonatos. Sei que é um caminho complicado, sei que é caro, e entendo porque me disseram que não conseguiriam me ajudar a realizar esse sonho por questões financeiras. Venho mostrando todos os meus valores como piloto, que posso ser rápido, que posso dar conta do recado, porém da muito medo. Quando se está na pista você sente adrenalina, angústia, desânimo e medo, tudo misturado e a única coisa que se pode fazer é acelerar ou ser ultrapassado. Assim como todos nós, sou humano, tenho várias incertezas e medos, acordo todo dia com a angústia de tudo isso dar errado, porém o que queria deixar aqui para seja lá quem for ler é que o seu trabalho preencherá a maior parte da sua vida, então faça aquilo que ama, não sufoque a sua voz interior pelas opiniões alheias, siga seu coração e intuição pois lá no fundo, você sabe quem quer realmente ser. Minha missão é chegar lá, aquele ponto que me imagino, e mostrar aos demais que isso é possível, como Senna dizia, independente da sua classe econômica, seja a mais alta ou mais baixa, se você fizer com dedicação, amor e fé em deus, seja lá sua religião, você chega lá, um dia chega lá. Passe por cima dos seus receios e mesmo que obstáculos apareçam faça deles sua alavanca para um próximo estágio da sua vida. Nesse momento eu tenho medo, bastante, mas vou continuar em frente, da melhor forma que eu puder. Obrigado a você que leu até aqui, isso me ajudou a por essa euforia para fora. Tenha uma boa vida.
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2020.07.14 16:30 galoccego Relato de um ex-barman

ESSE RELATO NÃO É MEU, ENCONTREI NO FACE E COMO ACHEI MUITO INTERESSANTE DECIDI TRAZER PARA O REDDIT.
Relato da internet: Parte 1 Já trabalhei como barman e observando bastante a vida dos que estavam do outro lado do balcão, tudo o que já falaram é verdade.
Entradas para as mulheres são sempre cortesias. Os homens pagam caro. E não se enganem achando que as mulheres não pagam a entrada, quem paga são os homens. Se a entrada na noite custa R$ 30,00 pra um homem, a verdade é que é R$ 15,00 masc(a dele). e R$ 15,00 femin(de alguma menina que entrou "free"). Os donos de bares jamais levam prejuízos e nada é de graça. No bar que eu trabalhava, o dono fazia "descontos" para os amigos, e usava esse argumento.
Nos bares sempre tem as bebidas originais bem guardadas, que são destinadas aos Vips. Geralmente, os alfa$. Os ricos chegam, as bebidas de qualidade vão todos para eles, e pegam mulher com o rodo. Já os pobres coitados que não são ricos, consomem bebidas falsificadas e não pegam ninguém.
Nesses lugares, o que mais vi mandar em tudo é o dinheiro. Quanto mais rico o cara for, mais mulher ele consegue. E nunca vi um alfa físico sair ganhando de um rico. A ordem de prevalências pelo que já constatei é:
  1. Ricos.
  2. Caras que tem o shape massa.
O resto nem entra, porque gordos, magrelos, baixos, pobres, etc, só levam prejuízo na balada. Prejuízo financeiro e EMOCIONAL. Quando conseguem alguma coisa, é no final da noite com alguma feínha que foi rejeitada pelos alfas. Quando a balada está terminando, e aquelas meninas que foram rejeitadas pelos alfas estão voltando para casa chateadas com a vida, é onde os zé ninguéns conseguem alguém. A única chance para o cara mediano na balada conseguir alguma coisa, é no fim dela. Pois mesmo uma vilena numa balada se sente uma rainha, e despreza todo mundo, com um ego gigantesco. Elas fazem isso porque se acham dignas apenas dos alfas. Mas quando os alfas as dispensam e a rejeitam porque acharam outra mulher mais atraente, é um tiro bem no meio do ego dela, pois ela passou a festa inteira dispensando os medianos porque se achava digna apenas do alfa, e agora no final ela vai embora sozinha sem ninguém? Aqui é onde o emocional está fragilizado e onde o homem mediano terá mais chances de conseguir alguma coisa com uma menina mediana ou feia. As bonitas, esqueçam. Não tem nem como se você não for alfa.
Se a intenção é pegar mulher, se for ao puteiro gastará bem menos financeiramente, não terá desgaste emocional, e o risco de pegar DST é o mesmo da mulher baladeira. Se brincar, é até menor. Se não for rico, beberá bebidas falsas, terá prejuízo, e saíra com o emocional destruído de lá, achando que o problema do mundo não te aceitar e te enxergar é seu.
Já vi muitos clientes homens medianos, indo pagar sua conta cabisbaixo, sem graças, com dois ou três amigos tudo desanimado porque vão embora sozinhos dentro um carro. E outros fingindo que só foram na balada pra curtir, que embora não tenham pegado ninguém, se divertiram e etc. O que é mito.
E tem um monte de mulher que paga de santinha falando que vai só pra curtir e ver o Dj, ou porque gosta de tal banda e etc, mas vai só pra dar toco. Não gostam de transar, não gostam de beber, não gostam de nada, só de se sentirem poderosas. Até os alfas penam nas mãos dessas mulheres em baladas.
Em baladas, o único que ganha realmente é o dono da boate. Pois ele ganhou um lucro exorbitante nas bebidas que vendeu(porque TODAS as bebidas são compradas a preço de banana, se você paga R$ 250,00 numa garrafa de whisky, pode ter certeza que ela foi comprada por R$60,00 no máximo, e se for falso, R$ 20,00 ou 30,00). Para constatar isso do preço, é bem simples, vá um supermercado e olhe o preço da garrafa. Depois divida ele por 2. E compare com o preço que você pagou na boate. No bar que trabalhei, compravam latinhas de Antartica por R$ 1,45 no próprio supermercado, e revendiam a R$ 5,50. Quando compravamos direto da Ambev, havia longneck que pagamos 0,90c a unidade, e revendiamos a R$ 6,00 ou R$ 7,00. O dono sempre tem mulher no pé dele, e mulher top. Ele nunca fica "desamparado sexualmente". O status do cara de ser dono de uma boate, desbanca todos os alfas.
Na minha opinião boate é um prejuízo de todas as formas possíveis, exceto para o dono. Mesmo para os alfas e ricos, é um prejuízo tanto financeiro como emocional. Pois você continua pagando pra comer a menina e se desgatando emocional fingindo interesse, competindo com outros machos e etc., mas eles não ligam, né?
Parte 2 Baladas é tanto o puteiro para mulheres, como disseram, como também é armadilha para bobos. É bom mostrar os outros aspectos que prejudica o homem, não sendo só as mulheres, para que possam ficar alertas. Todos os panfletos, as propagandas, as pulseiras de camarote, os copos e bonés e outros brindes... Tudo isso é friamente pensado pelos organizadores da festa para vender uma ilusão enorme, de tal forma que faça o nerd jogador de minecraft sentir vontade de sair de casa e ir lá e gastar seu dinheiro achando que vai se dar bem, de fazer a mais alta piranha sonhar que vai encontrar o Eike Batista dela lá dentro. Observem bem na cidade de vocês como são as propagandas, se você esquecer seu bom senso um pouquinho, você vai cair no conto de que balada é o melhor lugar para ir e ser feliz.
Por trás dos autofalantes, dos graves, do neon, daquelas pessoas fingindo ser felizes, está um máquina pronta pra sugar seu dinheiro. A intenção é sempre pegar o dinheiro do homem. É por isso que eles também lotam de mulheres, quanto mais cheio de mulher um lugar estiver, mais homem disposto a perder tudo o que tem. Mulheres são as iscas, a massa de manobra, para juntar homens fracos emocionalmente e sugarem seu dinheiro. Em uma análise bronca, pode-se dizer que boate é uma das coisas mais anti-homem já criadas. Porque ela nunca prejudica as mulheres de fato, somente homens. Pois mesmo as mulheres sendo apenas iscas, elas ganham emocionalmente e ganham a chance de encontrar um bobo para ser provedor (e acreditem, tem muito playboy que assume uma bomba dessa).
E depois que o camarada entra lá dentro, ele vai ser vampirizado financeiramente o quando puder. A vampirização emocional é só a consequência de ser bobo. Eu mesmo comprava maços de Carlton por R$ 6,50, e vendia cada cigarro picado por R$ 2,00. Eu ganhava em torno de R$ 30,00 por maço, pois na boate não era permitido vender e fumar, mas o cigarro é um símbolo de status que todo mundo lá dentro quer, até quem não fuma quer fumar pra poder ser notado, e quem se aproveitar disso... Será que é errado? Não sei. Eu fazia. Sei que quando meus maços acabavam, os caras ficavam tão fissurados que saíam da boate, iam até os postos de combustíveis, compram cigarro e voltavam. Só pra poder senta na mesa fumando. E a mesma lógica vale também as drogas ilicitas (que eu não vendia, mas quem vendia ganhava uma puta grana).
O ambiente geralmente é tão baixo, que as pessoas que estão no camarote, com pulserinha e copo estilizados por exemplo, esnobam as pessoas que estão na pista. Mulher então? Elas faziam questão de mostrar que são apenas para os vips lá de cima. As mulheres quando sobem para os andares superiores, elas se sentem como verdadeiras deusas. E falo isso porque, eu trabalhei no bar de camarote, e minha função era apenas preparar coqueteis e servir bebidas, nada mais e também não abria nenhuma exceção pra favorzinho. E ouvia muitos sapos de mulheres dizendo que estudam medicina ou direito, que estavam acompanhadas de fulano de tal, que eu tinha que fazer o que eles mandavam... E eu nunca fazia. Só me restringia ao bar. Já tive que chamar segurança pra me defender porque os ricões, além de bobos, ainda queriam pagar de machões e iam lá tirar satisfação do porque não levei algo para a mesa deles etc, sendo que tinha garçom pra isso. Alias, os garçons... Pobres coitados! Eram o que mais sofriam. Raramente eu trabalhei com o mesmo garçom por mais de dois meses, eles não aguentam. Eles chegam na mesa e são ridicularizados, pelos homens que querem bancar os machoes e pelas mulheres que sentem poderosas. É realmente um trabalho de cão. A maioria dos garçons(e barmans) eram estudantes, caras feios, magros, precisavam de um dinheiro extra, e faziam esses bicos. E quando topavam de servir uma mesa cheio de caras ricos, mulheres bonitas e etc... Puts. Dava dó. Eram motivo de piadas. Você via nitidamente o emocional dos caras destruídos. Tinha que ter um emocional muito forte pra aguentar aquilo sem esmorecer. As mulheres sentiam um prazer enorme em ver outros caras pisando no pobre coitado que estava servindo elas, elas se sentiam, de verdade, deusas. Eu aposto que elas gozavam quando debochavam dos outros.
E, também, boate é um ambiente muito inseguro. Além das brigas constantes que sempre acontecem, quase dono nenhum gasta dinheiro investindo na segurança da infraestrutura, porque eles pensam que nunca vai acontecer nada na boate deles.
Parte3
Sobre DSTs, era prache eu ouvir comentários de fulanas e ciclanas que tinham herpes na xota. Com tempo você vai pegando amizade com alguns caras, seguranças, e as fofocas correm. Mulheres bonitas, que só frequentam camarote e só andam com os ricões e esnobavam todo mundo, tinham histórias muito cabulosas. Tinha menina que eles falavam pra não deixar ela nem fazer boquete porque senão o pau pegava carie. Meninas que todo matrixiano JAMAIS pensaria que fosse tão nojenta. E são essas meninas que vão se casar aos 30 anos com um bobo matrixiano que jamais vai saber do passado negro dela. Já vi alguns casais por aqui, um cara gente fina, que mal saia de casa, junto com uma menina que era verdadeiro carrapato de boate. E quando elas reconhecem a gente na rua, abaixam os olhos, ficam com medo da gente ser amigo do namorado dela e contar as coisas que viamos.
Mals o textão. Mas pra quem teve saco e quis ler, fica o relato. Se eu contar todas as histórias escabrosas que já vi e ouvi, do que a gente faz nas boates com as bebidas, enfim, é de doer os olhos. Mas tem gente que apanha e apanha e continua indo. Tenho amigos que diz que exagero muito, que eu sou revoltado e etc. Mas, as pessoas são como animais criados pro abate, são influenciados pela propaganda, sempre vão, se dão mal, passam mal, mas acordam no outro dia crente que o próximo final de semana será diferente. Enquanto isso vão só perdendo dinheiro e tempo.
Eu não recomendo o cara nem ir a um pub bem light. Embora não sejam um ambiente tão fútil e banal como é a boate, acontecem as mesmas coisas, mas apenas em menor escala e mais discretamente. Se a intenção é beber com os amigos, descontrair e relaxar, é melhor queimar uma carne em casa e comprar bebidas por conta, por exemplo. Pelo menos é minha opinião. Para conhecer mulheres: não faça isso, meu amigo. É tiro no pé.
Talvez alguém pense que essas coisas são exageros, mas é a minha conclusão da minha experiência pessoal enquanto fiz bicos de barman. E quando falo barman, esqueçam aquele esteriotipo de cara fortão, bonito que usa uma gravata borboleta no pescoço, na maioria dos casos é só gente normal fazendo bico. Esses "showmans" são outra parte da história que tem bastante privilégios por serem alfas. Eu não fazia parte dessa categoria. Pra eles as boates devem ser boas. Não era para mim porque eu sou um cara normal, e talvez por isso até pareça um butthurt. Mas é só um relato que espero que sirva de alerta. Hehe
Parte 4 Obrigado pelas boas vindas, pessoal!
Então... Sobre as histórias cabulosas, vou começar contando as profissionais. Claro que existe boates exceções assim como mulheres (será? ), mas... Enfim. Eu também não trabalhei em clubes de tão alto padrão assim, quando eu falo que era clubes pra quem tinha dinheiro, é porque as coisas eram muito caras. Mas, não é nada comparado a uma boate grande e famosa. hehe
Começando pelas bebidas, coisas que barmans geralmente são obrigados a fazer:
- A maioria das pessoas não bebem as cervejas completamente, pois elas esquentam rápido na mão, e sempre volta pro bar ou fica espalhado pelo lugar longnecks pela metade. No final da festa, alguns barmans despejam toda essa sobra de cerveja num balde, enfileira as longnecks e coloca funis nos gargalos, e sai enchendo elas tudo novamente. Depois colocam a tampinha e botam pra gelar. As cervejas, lógicamente, vão ficar chocas. Por isso só devem começar a servidas após 2h da manhã, por exemplo. Onde a maioria já se encontra bêbada e qualquer coisa que consumir está gostoso. Como os barmans, por cortesia, sempre abrem as longnecks para os clientes, eles nunca desconfiam das tampas frouxas. Não fiz muito isso, mas já trabalhei em um local e uma festa ao ar livre que fez. Não era prática diária comigo.
- Os sucos naturais, não são naturais. Muita gente pagava o preço por um coquetel feito com o suco da laranja exprimida na hora, mas tudo era somente suco de saquinho(tang ou o mais barato que tiver) batido no liquidificador. Ele fica consistente e espumoso como um suco da fruta. Restaurantes também fazem essa jogada. Um copo de suco "natural" de 200ml era R$ 4,50, por exemplo. O saquinho tang que fazia 1l no liquidificador era 1 e pouco.
- As tequilas sempre saíam em dose, e as garrafas sempre ficam com o barman. Reaproveitamos sempre a mesma garrafa, enchíamos ela um pouco menos da metade de whisky vagabundo ou falsificado, e completávamos com pinga vagabunda. Sacudiamos e vu a la! Tinhamos uma tequila ouro José Cuervo. Como a maioria das pessoas não conhece gosto de nada, pagam R$ 15,00 numa dose de 50ml que custou apenas, no máximo, R$ 5,00 pra fazer. E pior: muitos ainda elogiavam. xD
- Tinhamos um tónel, que se dizia vender cachaça artesanal. Cada dose de 50ml era R$ 6,00. Mas sabe o que tinha lá dentro? Pinga barata de R$ 3,00 o litro. Aquelas 51, 21, 31...
- Os whiskys que servíamos no bar, sempre eram tretas. Muitas vezes a gente fazia aquele lance de encher a garrafa de coca-cola com whisky barato e acoplar ela na boca de uma garrafa de Red Label e mandar o o whisky vagabundo pra lá. Essas geralmente são as que ficam penduradas no dosador de garrafa invertido. Numa festa com umas 3 ou 4 caixas de whisky, tinha no máximo 3 ou 4 garrafas realmente originais, guardadas para os magnatas.
- Quase sempre a gente recebia ordens pra marcar coisa a mais na comada do cliente, se ele parecesse que estivesse muito bêbado. Quando eles iam pagar, sempre ficavam muito putos com as meninas que trabalhavam no caixa, mas, então o gerente jogava aquela onda de que ele emprestou a comanda pra alguma mulher, que ele não lembra, se a coisa aperta muito já vinhas os seguranças intimidar, no final o cara sempre pagava. Não tinha jeito.
- As porções nunca jogavam fora. Já vi cozinheira tirando cinzas de cigarro de um resto de porção de batata e guardando as batatas pra usar com outra pessoa que comprava porção.
Tomem bastante cuidado, porque vocês nunca vão saber o que realmente estão consumindo. Isso não vale só pra boate, vale pra restaurante, lanchonete, casa da vó etc.
Também existia alguns esquemas de lavagem de dinheiro, eu não sabia muito sobre isso, só ouvia a respeito. Mas alguns eventos em fazendas particulares, reunia bastante magnata e alguns amigos afirmavam que rolava um esquema de lavar dinheiro tenebroso. E que muitas boates são usadas pra isso. Sobre isso não posso afirmar com certeza, isso foi só um boato que eu ouvia e acreditava, por tudo o que eu já presenciei lá.
Para atrair homens para festa, o promoter dava brindes, cortesias e até dinheiro pra algum grupo de meninas fazer volume na porta da boate. Já dava as instruções para elas irem super maquiadas, roupas curtas e ficarem bem visíveis. A panfletagem nas ruas e nas faculdades, era sempre feito por meninas bonitas e com roupas curtas. O próprio promoter que cuidava da casa, fazia uma propaganda ferrenha no Facebook. Pra cada 5 mulheres que ele marcava no post, ele marcava 1 homem, por exemplo. E pedia pras meninas confirmarem presença no evento divulgado no Facebook. Tudo isso pra dar a impressão que naquela festa tem mais mulher do que homem.
Parte 5 Então, o homem escravogina, solitário e carente, via aquele harém pela baguetala de R$ 30,00 o ingresso... Era casa cheia na certa. Uma vez lá dentro, o cara até parcela a consumação no cartão de crédito. A maior dificuldade é sempre fazer o homem entrar na boate, porque depois que está lá dentro, já era.
Um pouco do lado obscuro:
As mulheres nunca me cantaram no balcão com um real interesse em mim. Geralmente, aparecia uma mediana que estava de favor na festa, jogar um charme pra tentar descolar um drink de graça. Como eu não dava, saíam nervosas e davam chiliques. Mas alguns colegas davam, e só ganhavam um sorrisinho de volta e a menina nem voltava mais no bar, senão pra tentar pegar outro drink na faixa. Mas para meus colegas, aquele sorrisinho era sinônimo de um casamento. kkkkk
Elas sempre pediam para o acompanhante delas levantar e buscar bebida no bar, jamais ela ia sozinha ou ia junto com ele. E nesses momentos, esses prazos de 5 e 10 min, é onde ela flertava com muitos outros homens. O cara saia da mesa para buscar mais bebida para ela, e ela levava aquelas bulinadas do cafa de leve, pra elas era como se estivessem numa sauna greco-romana.
Banheiro de deficiente físico sempre foi usado como quarto de sexo. Isso era unânime em todas casas que trabalhei e eventos que fiz, era só jogar um "café" na mão do segurança, que o próprio segurança vigiava a porta pra não deixar ninguém interromper a trepada. Aqui era onde muito cara com físico bom e pouca grana, algumas vezes ganhava a noite. Ele não precisava de carro, nem de levar no motel, nem nada, torava a menina na lá no banheiro e só dava uma gorjeta pro segurança. Havia vezes que garotas de programas trabalhavam discretamente nos eventos, em parceria com os seguranças. Elas davam uma grana pra eles, e ela fazia o trabalho. A mesma menina, que nem parecia puta, ás vezes transava com 3 ou 4 cara na mesma noite, sem ninguém nem desconfiar que rolava uma fita dessa lá dentro. Mas como nada fica discreto pra sempre, começou querer haver CONCORRÊNCIA, outras meninas também queriam, e aí começou virar bagunça até que o dono deu um jeito de cortar ameaçando os seguranças de demissão.
Muita gente FINGIA ficar bêbada pra ter desculpas para fazer merda. Isso eu via muito, e a maioria sempre era mulheres. Elas subiam na mesa, faziam danças sensuais, ligavam para ex, pegava no pinto do caras, traiam os namorados, enfim, fingindo completamente que estavam bêbadas. Eu sabia que era fingimento, porque eu tinha um certo controle de quem bebia no bar, dava pra saber o quanto a pessoa consumiu e tinha menina que tomava duas cervejas e começava a fazer merdas, só pra ter um monte de cara endeusando elas e poder fazer uma putaria "sem culpa". E quem fica bêbado com duas cervejas? Mas tinha muito idiota que caía.
Certa vez, trabalhei em um evento que veio uma Dj que era da Espanha, senão me engano. Não lembro o nome, mas era uma menina baixinha com trejeitos de sapatão, cabelos raspados do lado e tranças onde tinha cabelo. Quem é mais ligado em música eletrônica deve saber o nome, eu não lembro. (Ela é aquele tipo de dj desconhecido no país onde mora, mas quando vem pro Brasil, faz sucesso, porque brasileiro é lambe-saco de gringo.) Eu sei que foi um evento que todo mundo quis ir, mas o lugar estava lotado, ingressos caros e etc. Havia uma menina que estava lá dentro, mas queria passar mais cinco amigas pra dentro da festa na faixa. O segurança não deixava. Até que uma delas ofereceu um boquete pra ele. Não foi nem o cara que pediu. A própria menina ofereceu. Obviamente, ele não recusou. Deram um jeito de ir pro estacionamento da fazenda e mandou ver. Entrou as cincos. Depois vi essa mesma menina beijando um playboy na mesma festa, o que me embrulhou o estômago. E com o tempo, ela foi ganhando fama de boqueteira entre os seguranças, então toda festa grande, os caras quase saiam no tapa pra decidir quem ia ficar na portaria, porque já sabiam que ela ia aparecer por ali. Afinal, ela não tinha grana e não tinha jeito de entrar, mas queria estar no meio dos playboys. E ela virou figurinha marcada mas depois sumiu. Um belo dia, num pubzinho, eu tava na porta conversando com os seguranças, ela me desce do carro de mãos dadas com um playboy. O segurança cumprimentou ela, e ela fingiu que não conhecia(sendo que ela tinha um passado negro com ele). Cumprimentou apenas o dono do pub e falou que agora estava noiva do fulano de tal. O cara tinha grana, a julgar pelo carro que ele tinha na época. E depois nunca mais víamos ela nas festa, e quando ia, ia acompanhada dele.
Que fique claro que não estou querendo criar ódio por boates, é só um relato do que vivenciei. O cara que quiser ir, não se prenda no que eu falo não, só fique atento. Hehe
Parte 6 Fico feliz em saber que tem alguma utilidade minhas observações. É impressionante o que você enxerga por trás das coisas somente observando. Nem precisa ser clarividente. hehe
Com o decorrer do tempo vou dando um up aqui com as histórias banais.
Mas acho que o mais importante que eu queria ter compartilhado com vocês a respeito das boates, era a questão de como fraudávamos bebidas. Porque isso é algo que prejudica a saúde dos consumidores a longo prazo, e além de pagar caro por algo que você nem sabe o que é. É algo que me arrependo de ter feito, embora fosse meu trabalho, então eu sempre tento alertar as pessoas que vão em boates para ficar espertas nesse sentido.
As histórias das perícias femininas são coisas bem baixas, praticamente histórias de filmes pornôs. Mas nada diferente do que acontece fora da boate, também.
Eu achava mais interessante o comportamento masculino do que o feminino, e aprendi muito observando caras que estavam caídos, usando a tal lógica reversa. Por exemplo, nas festas acontecem muitas frustrações, e na minha condição de barman, muitas vezes acabávamos fazendo um papel de ouvinte e psicólogo. Muitos homens bebem para amenizar as dores, e quando encontram alguém para ouvir os problemas deles, os caras desabam. Geralmente, esse alguém é o barman, o garçom... Ninguém do outro lado do balcão, nem os próprios amigos do cara, o acolhem nesse momento. E aqui vivenciei muitas situações constrangedoras, de caras enormes de tamanho, chorando feitos beberrões na minha frente. Era engraçado, porque eu sou um cara pequeno e mais duro emocionalmente do que eles(que em teoria, pareciam ser os caras mais frios do mundo) . hehe
Eu não podia fazer muita coisa a não ser ouvir e guardar aquelas histórias como experiências. Eu praticamente nunca consegui ajudar nenhum cliente. Todos eles queriam ouvir que a esposa era exceção, que mesmo traídos deveriam dar segunda chance, que ele era o errado da história, etc. Nenhum aceitava qualquer ponto de vista diferente em que a sua companheira fosse uma pessoa ruim. E ás vezes, discutiam comigo defendendo a esposa após eu aplicar pequenas injeções de real. Mas com tempo percebi que era inútil tentar salvar alguém, porque existe homens que se acomodaram a viver numa lama emocional que tem até medo de sair dali. Eu no máximo consegui algumas amizades, que me ajudaram depois a arranjar outro emprego melhor, mas, os caras infelizmente vivem a mesma vida que levavam, com migalhas emocionais, dores profundas e um depressão que eles tentam abafar com bebida, gerando lucro pra alguém que se aproveita da fraqueza emocional desses mesmo caras.
Acho que se o cara assimilou bem a real, é esperto, tem uma grana pra gastar que não vai fazer falta, tem problema nenhuma ir em boate. O único problema que vi mesmo é o cara pobre que se endivida achando que vai ter sexo fácil ou o ingenuo que vai achando que vai encontrara mulher da vida dele lá.
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2020.06.08 04:48 altovaliriano Shae (parte 2)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
A relação entre Tyrion e Shae começa com um tom promissor. Tyrion fica satisfeito por ter arranjado uma mulher esperta, indolente e com poucos escrúpulos. Shae arranjou um cliente abastado, zeloso e lúcido. A única coisa que vai se transformando durante A Fúria dos Reis é justamente a lucidez de Tyrion.
Agora estou livre de Tysha, pensou. Ela me assombrou durante metade da minha vida, mas já não preciso dela, não mais do que preciso de Alayaya, Dancy ou Marei, ou das centenas de mulheres iguais a elas com que fui me deitando ao longo dos anos. Agora tenho Shae. Shae.
(ACOK, Tyrion VII)
É uma situação que chegará a tal ponto de absurdo em A Tormenta de Espadas que até o próprio Varys se permite a um desabafo:
[…] Confesso que não compreendo o que há nela para fazer com que um homem inteligente como você aja tão tolamente.
(ASOS, Tyrion VII)
Eu acho que consigo responder a Varys o que há em Shae para que Tyrion haja como um bobo. Shae é a muleta na qual Tyrion se apoia durante sua ascensão á posição de maior importância que alcançou em sua vida. Tyrion ignora todos os defeitos de Shae porque ela se torna um amuleto de seu momento. Ele quer preservar Shae na mesma medida em que busca preservar o prestígio recém-adquirido.
Quando Tyrion conhece Shae à beira do Ramo Verde, o anão era apenas o mais desprezível dos Lannisters. Aquele que o próprio Tywin não se importava em enviar à morte como bucha de canhão. Porém, o aprisionamento de Jaime e a impotência de Cersei em controlar Joffrey elevam Tyrion ao terceiro lugar da Casa (Kevan era o segundo, tão importante que Tywin não pode enviá-lo a Porto Real).
Como já aleguei antes,tenho impressão de que a trajetória de Tyrion lembra aquela frase atribuída a Abraham Lincoln: "Quase todos os homens podem suportar adversidades, mas se quiser testar o caráter de um homem, lhe dê poder". A Guerra dos Cinco Reis dá e tira poder de Tyrion, mas ele sempre pode contar com o afeto artificial de Shae.
É real, tudo isso, pensou, as guerras, as intrigas, o grande jogo sangrento, e eu no centro de tudo… eu, o anão, o monstro, aquele de quem zombavam e riam. Mas agora tenho tudo, o poder, a cidade, a moça. Foi para isso que fui feito e, que os deuses me perdoem, adoro tudo…
(ACOK, Tyrion VII)
Porém, o isolamento de Tyrion no poder faz com ele confunda os serviços incondicionais da prostituta com lealdade incondicional. Tyrion desenvolve sentimentos para com Shae, mas não amor, e sim dependência.
Idiota, disse depois a si mesmo, enquanto descansavam no meio do colchão afundado, entre lençóis amarrotados. Nunca aprenderá, anão? Ela é uma prostituta, maldito seja, é o seu dinheiro que ama, não o seu pau. Lembra de Tysha?
(ACOK, Tyrion I)
Tyrion pensa em Shae como uma prostituta e faz para ela os planos que homens fazem para suas concubinas. Ele não ousa sequer sonhar em casar com ela, mas, claro, sabemos que ele pensa assim exatamente porque sabe o que Tywin faria com ela se soubesse. O que Tyrion não conta ao leitor (e nem poderia) é que é justamente porque o pai o proíbe que ele passa a projetar Tysha (seu outro amor proibido) sobre Shae.
Em outras palavras, ele não ama Shae, ele ama a sombra que Tywin jogou sobre ela e, em razão de seu isolamento no poder, Tyrion fica cada vez mais dependente desta relação. Especialmente porque, desta vez, ele não quer que as coisas terminem como terminaram da última vez.
[...] gostaria de ser sua senhora, senhor. Vestiria todas as coisas bonitas que me deu, cetim, samito e pano de ouro, e usaria suas joias, pegaria na sua mão e sentaria ao seu lado nos banquetes. Poderia dar-lhe filhos, sei que poderia… e juro que nunca o envergonharia.
Meu amor por você já me envergonha o suficiente.
(ACOK, Tyrion X)
Shae, contudo, não corresponde nenhum destes sentimentos. Até porque Shae tem pouca capacidade para empatia (uma das coisas que a série de TV difere dos livros). Talvez seja porque a prostituição a fez assim. Ou talvez ela simplesmente é assim.
De fato, quando fala sobre seu trabalho como aia de Lollys Stokeworth após ela sofrer estupro coletivo durante a revolta do pão, Shae desmerece o trauma de Lollys e só mostra nojo com a sujeira de Lollys com a comida:
Está dormindo. Dormir é tudo o que quer fazer, a grande vaca. Dorme e come. Às vezes adormece enquanto está comendo. A comida cai para dentro de sua manta e ela rola em cima, e tenho de limpá-la – fez uma cara enojada. – Tudo o que fizeram foi fodê-la.
(ACOK, Tyrion XII)
Essa resposta é particularmente interessante, pois, em um capítulo anterior, Shae havia assim reagido quando o anão lhe contou sobre a punição de Tysha:
Os olhos de Shae tinham-se aberto muito, mas Tyrion não conseguiu ler o que havia por trás.
(ACOK, Tyrion X)
Apesar de sua esperteza, Shae demonstra repetidas vezes ter uma visão míope sobre como o mundo de Tyrion funciona. Quando Tyrion afirma que não poderia casar com ela por causa de sua família, Shae aparece com uma solução brilhante: mate sua família.
– Então mate-a e resolva o assunto. Não é como se houvesse algum amor entre vocês.
Tyrion suspirou.
– Ela é minha irmã. O homem que mata seu próprio sangue é para sempre maldito aos olhos dos deuses e dos homens. Além disso, [...] meu pai e meu irmão gostam dela. […] Contra Jaime ou meu pai, não tenho mais do que umas costas tortas e um par de pernas atrofiadas.
– Tem a mim – Shae o beijou, deslizando os braços em volta de seu pescoço enquanto pressionava o corpo contra o dele.
(ACOK, Tyrion X)
Em outro momento, quando Varys estava propondo o enigma do mercenário, Shae deixa escapar em um ato falho que o homem rico era o mais poderoso:
– Numa sala estão sentados três grandes homens, um rei, um sacerdote e um homem rico com o seu ouro. Entre eles está um mercenário, [...]: Quem sobrevive e quem morre? […]
Shae franziu seu lindo rosto.
– O rico sobrevive, não é?
(ACOK, Tyrion I)
Quando Shae fica sabendo que Tyrion habitaria a Torre da Mão na Fortaleza Vermelha, ela faz de tudo para manipulá-lo a levá-la também. Mesmo quando Tyrion aluga uma mansão para ela, Shae parece insatisfeita o suficiente para certas máscaras começarem a cair:
Tinha instalado Shae numa vasta mansão [...]. Queria passar mais tempo com ele, tinha dito; queria servi-lo e ajudá-lo. “Ajuda-me mais aqui, entre os lençóis”, disse-lhe uma noite depois do amor [...]. Ela não tinha respondido, exceto com os olhos. Foi aí que viu que aquilo não era o que ela queria ter ouvido.
(ACOK, Tyrion I)
Quando Shae vislumbra que o plano de Tyrion para trazê-la para o castelo era deixá-la nas cozinhas como lavadora de pratos, Shae chega a pedir para ficar na mansão (“não podia apenas me dar mais guardas?”). Tyrion a agride quando ela desdenha do poder de Tywin, ele lhe conta sobre Tysha e ela finalmente concorda.
Neste diálogo vimos Shae fazer alegações sobre seu próprio passado como forma de ameaça velada de deixar Tyrion, com clara intenção de manipulá-lo. Contudo, quando Tyrion a confronta com a versão anterior do relato, ela simplesmente mente para consertar a contradição:
Meu pai fez de mim a ajudante de cozinha dele – ela disse, com a boca se contorcendo. – Foi por isso que fugi.
Tinha me dito que fugiu porque seu pai fez de você a prostituta dele – lembrou-lhe Tyrion.
Isso também.
(ACOK, Tyrion X)
Como Tyrion logo depois conta a Shae que decidiu lhe dar o cargo de aia de Lollys, eu acredito que a garota deve ter sentido que havia conseguido persuadir Tyrion com sua insistência, ignorante de que a alternativa havia sido apresentada e arranjada por Varys.
Eu, inclusive, suspeito que foi neste momento que Shae passou a constar da folha de pagamento do eunuco, que fez isso justamente para evitar que ela entrasse na folha de Petyr Baelish. Permitam-me explicar.
Tyrion havia enganado Varys, Pycelle e Mindinho sobre seus planos com Myrcella (ACOK, Tyrion IV), mas Petyr havia ficado realmente irritado por ter sido dobrado pro Tyrion (ACOK, Tyrion V). Tyrion já está usando o túnel da mão pra visitar Shae há um bom tempo (ACOK, Tyrion III), mas certo dia Tyrion chega ouvir “o som de música pairando sobre os telhados” quando sai dos estábulos (ACOK, Tyrion VII), indicando que talvez Symon Lingua-de-Prata já estivesse espiando as redondezas.
Pois bem, Petyr deixara Porto Real para Ponteamarga algum tempo antes de Myrcela partir (ACOK, Tyrion VIII), um álibi clássico de Petyr antes de dar o sinal verde para seus planos. Após a revolta do pão, Symon já está na mansão com Shae algo que Tyrion não saberia caso não tivesse abandonado a cautela e saído a galope por Porto Real, “correndo para o seu amor” (ACOK, Tyrion X).
Mas a fala de Shae sobre Symon parece indicar que Symon é um visitante habitual desde um pouco depois de que Tyrion e Mindinho tiveram sua desavença:
– Não vai lhe fazer mal, não é? – Shae acendeu uma vela perfumada e ajoelhou-se para tirar suas botas. – Suas canções alegram-me nas noites em que você não vem.
(ACOK, Tyrion X)
Portanto, eu acredito que Symon é um agente de Mindinho que está espionando Shae a fim de descobrir pontos fracos na Mão. Alguns leitores acreditam que a própria Shae seria uma espiã de Petyr, a partir do fato de que ela estava bem informada demais sobre as atrações do casamento de Joffrey - especialmente a justa de bobos (ASOS, Tyrion II). Entretanto, estes leitores deixam passar que foi Symon quem trouxe essas informações à Shae.
Não por outra razão, no mesmo capítulo que Symon e Tyrion se encontram pela primeira vez, Varys encontra a solução perfeita para trazer Shae para a corte. Varys combina perfeitamente as necessidades ostentadoras de Shae, os desejos de Tyrion e a necessidade de tirar urgentemente a menina da linha de fogo dos agentes de Petyr.
– É melhor aia de uma senhora do que ajudante de cozinha –Shae dissera quando Tyrion lhe contou o plano do eunuco. – Posso levar o cinto de flores de prata e o colar de ouro com diamantes negros que disse que se pareciam com meus olhos? Não os usarei, se disser que não devo.
(ACOK, Tyrion XI)
Por outro lado, Lollys é a patroa ideal para neutralizar a ganância de Shae. O esquema de Varys requeria que ele contasse à mãe de Lollys (Senhora Tanda) que a aia atual de sua filha estava roubando jóias (ACOK, Tyrion X). Não sabemos se esta história é verdade ou Varys iria armar para cima da atual serva. O que importa perceber é que, uma vez que a história vazasse, Tanda provavelmente endureceria a vigilância sobre a nova criada, deixando pouco espaço para Shae causar problema roubado coisas na corte.
Como se vê, a natureza de Shae está muito aparente para aqueles ao redor de Tyrion, exceto para o próprio Tyrion. Por mais que exercite com frequência a lembrança de que ela é uma prostituta atrás de dinheiro e conforto, e de saber que a relação entre eles não passará daquele estágio de amor proibido, ele parece incapaz de fantasiar com seu afeto.
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2020.05.27 14:29 RN118532 Por que o marxismo cultural existe e é o ópio dos evangélicos

Imagino que vocês já devem estar acostumados com esse tipo de post. Estou postando no reddit porque eu honestamente não sei onde mais postar e queria ver se alguém mais está sentindo o mesmo que eu. Nem sei como usar alt, então posto pela minha conta mesmo, que só uso para ver memes e coisas de jogos e séries que gosto e evito discussão política para o bem da minha sanidade.
Eu quero começar dizendo que sou evangélico, creio que a Bíblia é a palavra de Deus e que Jesus ressuscitou no terceiro dia. Para dar uma ideia, eu creio que os credos (Apostólico, Calcedônico, entre outros) são válidos, assim como os Solas da Reforma, apesar de não ser de igreja reformada, e as confissões de fé, como a confissão de fé batista de 1689. Eu faço questão de fazer essa introdução para dizer que sou o que muitos poderiam chamar de “fundamentalista”, mesmo que eu não goste muito do que o termo se tornou, e digo isso porque estou frustrado com a situação da igreja evangélica.
Eu cresci em lar evangélico e sempre tive uma vocação de carreira acadêmica, por isso sou pós-graduado. Achava que ia ser teólogo, mas acabei me formando em economia, o que é quase a mesma coisa. Por isso, desde cedo, estudei bastante teologia e lia muitos teólogos e filósofos conservadores; conhecia a obra de Olavo de Carvalho quando adolescente, acreditava que os não-cristãos esperavam o momento certo para usurpar tudo o que entendemos de civilização; tentei uma vez argumentar sobre marxismo com meu professor de história – mas sem ser maneira, por assim dizer, escrota, ele até que gostou quando eu mostrei uma refutação do marxismo que retirei de um livro de cosmovisão cristã.
Uma das coisas que esses filósofos conservadores de internet conseguem fazer bem é convencer a pessoa de que ele está em um grupo de “nós” contra “eles”, portanto fui exposto a essa retórica de marxismo cultural (nota: meus pais não têm nada a ver com isso, eu achei tudo sozinho, meu pai pode ser bolsonarista, mas ele nunca fez questão de falar nada disso comigo). Eu era bastante conservador no ensino médio, só que não demonstrava.
Continuei conservador quando fui para a faculdade, fazer economia, uma das disciplinas mais conservadoras que existem. Fui austríaco por um bom tempo, até ancap, mas deixei os ancap porque eles são insanos, mas continuei um austríaco mais moderado. Eu sei que existem diferenças fundamentais entre liberais e conservadores, mas a grande maioria deles no Brasil votam nas mesmas coisas, então é comum ver os dois juntos. Eu fui parando de acreditar que as doutrinas liberais de mercado livre são as melhores porque eu passei a ver as contradições e decidi que eles não estavam corretas, mas isso não vem ao caso neste post.
Eu quero dizer que se houver uma ditadura bolsonarista no Brasil, a igreja evangélica vai ser um dos seus principais pilares por causa da retórica do marxismo cultural. Essa retórica é como se fosse crack – o ópio dos cristãos, porque cria um inimigo conveniente demais aos cristãos, incluindo os evangélicos.
Mas você pode argumentar que “marxismo cultural” não existe, é uma invenção, é uma interpretação errada. Como todo o respeito, DÁ PARA FICAR QUIETO! O marxismo cultural existe na cabeça de milhões, dezenas de milhões de pessoa! Não importa se você acha que ele não existe, porque se ele não existisse, nós teríamos que criar ele e, notícia de última hora, ele já foi criado pelo Olavo de Carvalho e dos autores americanos que ele imita. Para os mais estudados, é um efeito performativo. Eu já vi até retiros espirituais cujo tema era estratégias de luta contra o marxismo cultural. Por exemplo, muitos cristãos ficam com medo de sair na rua em dia de Parada Gay, nesses cultos de domingo a igrejas têm lugares vagos, para ver o quanto essa retórica influencia.
A questão é que o marxismo cultural influencia tanta gente. Eles acreditam que a família está sobre ataque, que nas faculdades se ensina o ódio ao cristianismo e a tudo que ele representa, que eles querem forçar as igrejas evangélicas a fazerem casamentos gays. Não somente isso, mas essa atitude também está por trás do aumento da criminalidade (porque a desestruturação social causada pela mudança de estrutura de produção não vem ao caso). Não podem acreditar que é algo decentralizado, então eles acreditam que deve haver um grupo secreto que está construindo a Nova Ordem Mundial, controlado por satanás, que está usando tudo para fazer com que isso ocorra.
Por isso que o Bolsonaro é um herói para eles. Ele vai guiar o povo brasileiro na luta contra essas forças do mal, com disciplina militar. Eles acreditam que o crescimento evangélico ocorreu por causa das condições criadas pela ditadura militar e parecem achar que se houver uma nova talvez possa crescer ainda mais.
Mas, não, a esquerda quer destruir o mundo por motivo nenhum, a não ser por causa da maldade do coração deles. O que o pessoal do “marxismo cultural não existe” parece não perceber é que, quando você tem um inimigo poderoso demais, o vale-tudo impera. Na faculdade estudei incentivos. Se os protestos contra a quarentena fossem só protestos, seria menos ruim. Mas quantas vezes nós vimos buzinaço na frente de hospitais, ataques a profissionais da saúde, aquele acampamento até com armas? Eles dizem que é para se defender, mas defender de quem? Desses “marxistas culturais” é claro.
Contra um inimigo tão poderoso, o caráter se torna prescindível. Truculência é justificada por valores superiores, como os da família. Numa crítica à apatia da igreja, um pastor falou num culto que eu estava: como é que um país com 30% de evangélicos tem 60 mil assassinatos por ano? Com a presença da retórica do marxismo cultural você não precisa fazer essa pergunta. Essa é também a estratégia para ignorar os problemas sociais, jogando o fardo pra cima da pessoa e é no fundo dizer “não é problema meu” – como disse Caim, “sou eu guardador do meu irmão?”
Um dos fatores que me fez abandonar o conservadorismo, além da esterilidade, foi que não existe autocrítica – olhe o Bolsonaro, quando ele é encurralado, ele dobra no que ele fala porque a cada desculpa que ele pede, ele perde 50 mil eleitores. Eles amam a arrogância do Bolsonaro porque o conservadorismo tornou a arrogância em uma virtude, humildade é bom nos outros. Com isso, eles elegem líderes que parecem consigo mesmos, pois eles não podem admitir que a esquerda pode não estar nem completamente errada. O marxismo cultural se torna o bode expiatório perfeito, porque a fonte de virtude é a luta contra essa ideologia demoníaca ao invés de procurar melhorar a si mesmos.
Em muitas igrejas, os pastores reclamam nos cultos que muitos jovens abandonam a fé quando vão para a faculdade, e novamente atribuem a essa influência demoníaca. Parece que não passa pela cabeça deles que eles demonizaram os não-cristãos por anos e, quando eles começaram a ver como os outros pensam, viram que não é bem assim. A mesma coisa com a mídia, a maioria esmagadora dos filmes cristãos são lixo, só server para passar a mão na cabeça do crente, mas é a única representação que a comunidade evangélica tem de si.
No fim, eu tenho que admitir que muitos evangélicos que se identificam com ideias de esquerda ou que não seguem a cartilha à risca (para incluir alguns cristãos de direita que percebem os problemas dessa abordagem) são desprezados. Eu fui quando tentei falar disso, um ex-pastor meu começou a me ignorar e a falar de Cuba aquilo, Cuba isso, como se meus doze anos estudando economia não valessem nada. Uma das razões pelas quais eu entrei pro curso de economia era que eu queria produzir algo voltado para Deus, discutir questões econômicas e religiosas, para contribuir para a igreja. Mas, hoje, eu sinto que a igreja quer ouvir coisas que a agrade, que siga a cartilha da retórica do marxismo cultural, e eu não posso produzir isso sem peso na consciência. Hoje em dia eu tento ser pluralista, não sou um economista ortodoxo (provavelmente nem sou economista), tento ler intelectuais sérios de direita como Charles Taylor e Russel Kirk (quem diria que é possível criar uma ideologia conservadora sem marxismo cultural?), mas ainda fica aquele desgosto. Tipo quando vejo o Emir Sader ou qualquer que seja o filósofo cabelo arco-íris de twitter falando besteira, eu posso rir deles de quão errados eles estão (eu tenho Tumblr, eu sei que essa corja existe), mas quando vejo o Olavo e seus asseclas só fico frustrado. Eles não conseguem entender que essas ideologias de esquerda existem porque, como disse um cardeal, a igreja fracassou.
Vejam os resultados: no tratamento da pandemia, enquanto que os países que confiaram em cientistas já estão abrindo, os países com governos de direita são os que mais se atrasam – Rússia (suicidaram médicos que tentavam falar do problema), EUA (passando dos 100 mil mortos), Hungria (ditadura praticamente proclamada – porém eu vi que o judiciário ainda está lutando contra), e agora Brasil com uma pessoa sem caráter nenhum no poder, igualmente cercada de outras pessoas sem caráter nenhum, e essa falta de caráter não é problema para a igreja evangélica e outros conservadores. É como se o coração deles tivesse endurecido e, se vocês se lembram da história de Moisés e faraó, vocês sabem o que acontecem quando isso ocorre.
E depois, quando você aponta isso, eles falam “ah, mas a esquerda faz isso e isso”. Dá para perguntar porque eles têm tanta inveja dessa capacidade da esquerda de sair impune? Sou um esquerdista horroroso, a saber. A teologia da libertação, por exemplo, nem sei se acredita em Deus, me parece uma série de comentários seculares com roupagem religiosa, enquanto que a teologia liberal definitivamente não crê em Deus – Bultmann acreditava em um troço, mas até o monstro espaguete voador é um deus mais interessante do que qualquer coisa que Bultmann acreditava. Posso falar sobre outros assuntos que toquei nesse post, mas me foquei nesse. Enquanto isso, quem dera se o problema fosse apatia.
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2020.02.29 03:57 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 1

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52681254060
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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[...] Agradecimentos aos usuários, especialmente tze , do fóruns do Westeros.org, que montaram essa teoria. Os tópicos originais podem ser lidos aqui e aqui .

O norte se lembra

Entre os momentos mais memoráveis e impressionantes da ADWD, estão os nortenhos que expressando eternos amor e lealdade aos Starks, apesar de a casa parecer estar à beira da extinção - herdeiros mortos, desaparecidos ou em cativeiro; sua sede ancestral em ruínas e ocupada por inimigos.
Lyanna Mormont, de dez anos, rejeita categoricamente Stannis Baratheon como seu rei.
– A Ilha dos Ursos não reconhece nenhum rei que não o Rei do Norte, cujo nome é STARK. [...]
(Jon I, ADWD)
Wylla Manderly, uma garota com menos de quinze anos, acha insuportáveis as mentiras traiçoeiras dos Frey e as denuncia ao ouvidos de toda a corte de seu avô.
– Mil anos antes da Conquista, foi feita uma promessa, e votos foram jurados na Toca do Lobo, diante dos velhos deuses e dos novos. Quando estávamos feridos e sem amigos, expulsos de nossas casas e com nossas vidas em perigo, os lobos nos acolheram, nos alimentaram e nos protegeram contra nossos inimigos. Esta cidade foi construída sobre as terras que eles nos deram. Em troca, juramos que seríamos sempre homens deles. Homens dos Stark!
(Davos III, ADWD)
Os homens do clã das montanhas do norte enfrentam a morte em razão do inverno e da espada, às centenas fazendo uma marcha árdua até Winterfell, apenas para tentar salvar a filha de Ned Stark.
- [...] O inverno está quase sobre nós, rapaz. E o inverno é a morte. Eu prefiro que meus homens morram lutando pela garotinha de Ned do que sozinhos e famintos na neve, chorando lágrimas que vão congelar em suas bochechas. Ninguém canta canções sobre homens que morrem assim. Quanto a mim, estou velho. Este será meu último inverno. Deixe que me banhe em sangue Bolton antes de morrer. Quero senti-lo espirrar em meu rosto quando enterrar meu machado em um crânio Bolton. Quero lamber o sangue dele de meus lábios e morrer com o gosto na boca..
(ADWD, O prêmio do rei)
E, é claro, Wyman Manderly, que foi corajoso a ponto de assar seus inimigos em tortas de Frey e servi-las aos usurpadores Boltons em um banquete de casamento.
- [...] Inimigos e falsos amigos estão ao meu redor, Lorde Davos. Infestaram minha cidade como baratas, e à noite posso senti-los rastejando sobre mim. – Os dedos do homem gordo se dobraram fechando o punho, e todos os seus queixos tremiam. – Meu filho Wendel foi para as Gêmeas como convidado. Comeu o pão e o sal de Lorde Walder e pendurou sua espada na parede para banquetear com amigos. E eles o assassinaram. Assassinaram, eu digo, e que os Frey se engasguem com suas fábulas. Bebi com Jared, brinquei com Symond, prometi para Rhaegar a mão da minha amada neta... mas nunca pense que isso significa que me esqueci. O Norte se lembra, Lorde Davos. O Norte se lembra, e a farsa está quase no fim.
(ADWD, Davos IV)
É tudo terrivelmente inspirador. E ao perceber o jogo de Manderly, ao ver quão profundo é o ódio pelos Boltons e Freys, alguns começaram a se perguntar se não há mais. Assim nasceu a Grande Conspiração Nortenha. No final da Dança dos Dragões, quase todas as casas do norte estão secretamente conspirando juntas para recolocar os Starks no poder, jogando Stannis e os Boltons uns contra os outros com o bônus de matar muitos e muitos Freys. Além do mais, especula-se que os conspiradores não querem apenas um Stark em Winterfell, mas um rei no Norte novamente. E os nortenhos já chegaram a um acordo sobre cuja cabeça a coroa de Robb deve enfeitar, embora ainda não tenham informado o bastardo sortudo.
Jon Stark, rei do inverno
Lembremos que há dois livros e quinze anos atrás Robb provavelmente legitimou Jon e nomeou seu meio-irmão rei no norte, caso ele morresse sem filhos.
[Robb:] “Um rei precisa ter um herdeiro. Se morrer em minha próxima batalha, o reino não pode morrer comigo. Pela lei, Sansa é a seguinte na linha de sucessão, portanto, Winterfell e o Norte devem passar para ela. – A boca dele comprimiu-se. – Para ela, e para o senhor seu esposo. Tyrion Lannister. Não posso permitir que isso aconteça. Não permitirei. Esse anão não pode nunca possuir o Norte.
– Não – concordou Catelyn. – Tem de nomear outro herdeiro, até o momento em que Jeyne lhe dê um filho. – Refletiu por um momento.
– O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray com certeza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
– Mãe. – Havia certa rispidez no tom de Robb. – Está se esquecendo. Meu pai teve quatro filhos homens.
Catelyn não tinha se esquecido; não quis encarar o fato, mas ali estava.
– Um Snow não é umStark.
– Jon é mais Stark do que um fidalgo qualquer do Vale que nunca sequer pôs os olhos em Winterfell.
– Jon é um irmão da Patrulha da Noite, e jurou não tomar esposa nem possuir terras. Aqueles que vestem o negro servem para a vida.
– O mesmo acontece com os cavaleiros da Guarda Real. Isso não impediu os Lannister de arrancar o manto branco de Sor Barristan Selmy e de Sor Boros Blount quando deixaram de ter utilidade para eles. Se eu enviar à patrulha uma centena de homens para o lugar de Jon, aposto que vão encontrar alguma maneira de libertá-lo de seus votos.
Ele está decidido a fazer isso. Catelyn sabia como o filho podia ser teimoso.
– Um bastardo não pode herdar.
– É verdade, a menos que seja legitimado por decreto real – disse Robb. [...]
– [...] Já pensou em suas irmãs? E os direitos delas? Concordo que não podemos permitir que o Norte passe para o Duende, mas e Arya? Por lei, ela vem depois de Sansa... sua própria irmã, legítima...
– ... e morta. Ninguém viu ou ouviu falar de Arya desde que cortaram a cabeça do pai. Por que você mente para si mesma? Arya partiu, assim como Bran e Rickon, e matarão também Sansa assim que o anão conseguir dela um filho. Jon é o único irmão que me resta. Se eu morrer sem descendência, quero que ele me suceda como Rei no Norte. Tive a esperança de que apoiasse a minha escolha.
– Não posso – disse ela. – Em tudo o mais, Robb. Em tudo. Mas não nessa... nessa loucura. Não me peça isso.
– Não tenho de pedir. Sou o rei. – Robb virou-se e afastou-se, com Vento Cinzento saltando de cima da tumba e pulando atrás dele.
(ASOS, Catelyn V)
Agora, os advogados do diabo argumentaram que Robb talvez mudou de idéia sobre nomear Jon como seu herdeiro após essa conversa com Catelyn, a qual o lembra (não resumidamente) de sua confiança indevida em Theon, outro que ele considerava um irmão. Além disso, os Lannister dificilmente parecem adequados como modelo de como liberar alguém de seus votos honrosamente, e o Norte geralmente tem a Patrulha da Noite em uma estima muito mais alta do que o resto de Westeros.
Por outro lado, imagino que a disposição dos senhores do norte de isentar Jon das antigas leis e tradições seja diretamente proporcional ao quanto eles desprezam cogitar um filho de Sansa com Tyrion, um filho da falsa Arya com Ramsay , ou um senhor aleatório do Vale que herdou Winterfell e a lealdade deles. Acho que o que todos podemos concorda é com a chegada de um fogaréu mais quente que a Peridção de Valíria, [risadas]. Além do que, existe um precedente para um conselho de nobres liberar um meistre de seus votos – o qual é muito semelhante ao juramento da Patrulha no que concerne a celibato, neutralidade política e serviço vitalício - com a bênção de um oficial religioso reconhecido.
[Mormont:] Você sabe que podia ter sido rei?
Jon foi pego de surpresa.
– Ele contou-me que o pai foi rei, mas não… Julguei que talvez fosse um filho mais novo.
– E era. [...]– Aemon estava às voltas com seus livros quando o mais velho dos seus tios, herdeiro da coroa, foi morto num acidente de torneio. Deixou dois filhos, mas seguiram-no para a sepultura não muito tempo depois, durante a Grande Peste da Primavera. O Rei Daeron também foi levado, e por isso a coroa passou para o segundo filho de Daeron, Aerys. [...] Aemon fez seus votos e deixou a Cidadela para servir na corte de algum fidalguinho… até que seu real tio morreu sem deixar descendência. O Trono de Ferro passou para o último dos quatro filhos do Rei Daeron. Esse era Maekar, pai de Aemon. [...]Menos de um ano depois [Aerion morrer bebendo fogovivo], Rei Maekar morreu em batalha contra um lorde fora da lei.
Jon não era completamente ignorante em relação à história do reino; seu meistre tinha se assegurado disso.
– Esse foi o ano do Grande Conselho – ele completou. – Os senhores passaram por cima do filho pequeno do Príncipe Aerion e da filha do Príncipe Daeron e deram a coroa a Aegon [V, o Improvável].
– Sim e não. Primeiro, ofereceram-na, discretamente, a Aemon. E ele, também discretamente, a recusou. Disselhes que os deuses queriam que servisse, não que governasse. Que tinha prestado um juramento e não o quebraria, apesar de o próprio Alto Septão ter se oferecido para absolvê-lo [...]
(ACOK, Jon I)
Os vassalos leais de Robb poderiam concebivelmente fazer o mesmo por Jon, pois afirmam que o Norte é um reino independente. O fato de Jon ter feito seus votos aos deuses antigos é uma complicação ou um obstáculo a menos para se preocupar. Bran e Corvo de Sangue, que têm algum interesse em ver Jon ser coroado rei, sem dúvida ficariam felizes em fornecer um sinal aos nortenhos, se é isso que eles ou Jon exigem.
Tudo isso à parte, o tom de Robb em suas respostas às objeções de Catelyn me parece sugerir que ele já se decidiu. Ele vai nomear Jon seu herdeiro não importa o que a sua mãe ou qualquer outra pessoa tenha a dizer dele. Robb reconhecendo formalmente Jon um verdadeiro filho de Eddard Stark, digno de Winterfell, também tem a vantagem de finalmente resolver um arco de personagem iniciado por Jon em A Tormenta de Espadas quando Stannis se oferece para legitimá-lo.
Tinham treinado juntos [ Jon e Robb] todas as manhãs, desde que tiveram idade suficiente para andar; Snow e Stark, rodopiando e golpeando-se pelos pátios de Winterfell, gritando e rindo, e às vezes chorando quando ninguém estava vendo. Quando lutavam não eram garotinhos, e sim cavaleiros e poderosos heróis. “Eu sou o Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão”, gritava Jon, e Robb gritava em resposta: “Bem, eu sou Florian, o Bobo”. Ou então Robb dizia: “Eu sou o Jovem Dragão”, e Jon respondia: “Eu sou Sor Ryam Redwyne”.
Naquela manhã tinha sido ele quem gritou primeiro.
– Eu sou o Senhor de Winterfell – gritou, como gritara cem vezes antes. Mas daquela vez, daquela vez, Robb respondeu:
– Você não pode ser Senhor de Winterfell, é um bastardo. A senhora minha mãe diz que nunca poderá ser Senhor de Winterfell.
Achava que tinha esquecido isso.
(ASOS, Jon XII)
Nem o desejo de Jon por Winterfell nem sua vergonha e culpa por desejar mal (ainda que obliquamente) a seus amados irmãos diminuíram em Dança dos Dragões.
Naquela noite, sonhou […]
Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
– Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
No entanto, não muito diferente de Theon, o que Jon realmente procura é uma afirmação de que ele é um Stark, apesar de seu nascimento bastardo, em minha opinião. O último desejo de Robb ser que Jon o suceda como Rei do Norte atenderia a essa necessidade (mesmo que Jon se recuse como fez com Stannis) enquanto cria um enredo de “herdeiro de Winterfell” que deve atrair Davos e Rickon, bem como Sansa e Mindinho, consolidando muitas subtramas.
Apenas dois fatores podem efetivamente anular a pretensão de Jon sobre Winterfell, em minha opinião: 1) Jeyne Westerling estar grávida do filho e herdeiro de Robb. 2) Os que testemunharam o decreto de Robb estão mortos ou impedidos de divulgar as notícias.
Por um tempo, a primeira opção era uma teoria de certa reputação, baseada em uma discrepância nas avaliações de Catelyn e Jaime sobre os quadris de Jeyne. O Peixe Negro teria supostamente contrabandeado Jeyne de Correrrio, ajudado por Eleyna Westerling, que teria fingido ser sua irmã. Desde então, um relato de fãs ligeiramente apócrifo pegou GRRM admitindo que as diferentes descrições são simplesmente um erro. Talvez ainda mais danoso seja a gravidez de Talisa criada para a série de TV e a subsequente morte no Casamento Vermelho. Embora Talisa não seja Jeyne, o papel que seu casamento com Robb desempenha é semelhante, de modo que David Benioff e DB Weiss mostraram que estão cientes das teorias populares dos fãs e não estão acima de provocar os leitores dos livros, como fizeram com a fala de Cersei em “Valar Dohaeris ”(GoT s03e01) sobre os rumores de Tyrion ter perdido o nariz. A morte violenta de Talisa - esfaqueada repetidamente no bebê, por assim dizer - pode ser o modo que D&D acharam de matar especulações futuras sobre Jeyne, sendo assim encarado com frequência.
Eu nunca gostei muito da teoria de Jeyne Westerling, francamente. Qualquer filho de Jeyne poderia ser nada mais que um rei fantoche, incapaz de governar em seu próprio direito por anos, e faria Rickon tão supérfluo que todo mundo provavelmente deveria parar de se preocupar em lembrar que ele também é um Stark. Portanto, não tenho escrúpulos em tratar Jeyne como um instrumento do enredo usado por GRRM para se livrar de Robb e em não incluí-la em discussões adicionais sobre a perspectiva política do Norte.
Quanto a este último ponto, os senhores presentes para testemunhar o decreto de Robb foram os seguintes: Grande Jon Umber, Galbart Glover, Maege Mormont, Edmure Tully e Jason Mallister (Catelyn V, ASOS). Todos ainda vivem, mas o Grande Jon é refém dos Freys e Lannisters para garantir o bom comportamento de seus parentes, e Mallister é um prisioneiro em seu próprio castelo, por cortesia de Walder Negro (Jaime VI, AFFC). Lorde Galbart e Lady Maege? Edmure? Bem, que tipo de coisas interessantes eles têm feito desde o A Tormenta de Espada será o assunto dos próximos posts.
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2019.12.26 21:21 Multi-Skin Consegui o endereço, placa do carro e vídeo/foto do fdp da caixa de correios.

Contexto: Todo dia alguém vem e abre minha caixa de correios a força, levando contas e dívidas, semana passada fiz uma armadilha e a pessoa se feriu, sangrou, mas a caixa estava aberta de novo uns dias depois
CONSEGUI, PORRA!

Ontem não aconteceu nada, aproveitei e reinstalei a caixa antiga, só com uns sininhos de gato dentro.
Pego no flagra:
Saí hoje pra ir no mercado bem cedo, fui com o carro da minha irmã já que o meu está quebrado, quando eu volto lá está um cara mexendo na minha caixa de correios.Parei o carro e só deixei o maluco agir, a câmera do celular tava ligada mesmo, então nem esquentei, a resolução ficou horrível (fazer o que, não sou playboy), mas deu pro gasto.

Seguindo as migalhas:
Esperei o cara sair, nem levou nada (sério que ele achou que iria ter correspondência as 8 da manhã no dia depois de natal?) , ele entrou num carro, anotei a placa e segui devagar, e que surpresa meus amigos, que coisa gostosa ver que o que comentei só por cima no post principal
Eles passaram por 7 estados em 10 anos, usaram um monte de documento falso na hora de assinar o contrato com a imobiliária tbm. Só não vazaram da cidade pq um parente tem uma loja. O cara tem ficha limpa, mas chega a dormir dentro da loja pra não ter endereço residencial. Sangue de caloteiros.
iria ser a chave dessa merda toda. O fdp entrou naquela loja.Eu voltei pra casa pra pegar o celular, fui até lá e tirei uma foto pela calçada do cara trabalhando na loja dele.

Mãos lavadas, mente em paz:
Liguei pro meu advogado e fomos até a delegacia principal, passei todas as informações e o número do B.O. online que havia montado uns dias atrás. Preferi levá-lo do que ir sozinho e falar merda ou se esquecer de algum detalhe. Ele passou a lista de processos que a família estava levando pro policial que nos atendeu e tomou a frente nesse processo pois sou muito esquentado nessas horas.
Já mandaram uma viatura pra lá e agora tô bem de boa em casa, só esperando a atualização do status do B.O. pra ver como que vão ficar minhas correspondências que foram levadas por todo esse tempo. O cara já tá ferrado com violação de correspondência e furto com gravação no ato graças ao B.O. de terça feira.
Meu advogado ficou por lá pra ver como vai ser o processo e também se não tinha como ligar o parentesco do cara com todos os processos e mandados relacionados com os outros membros da família.
"Ah mas pq você não falou com ele, esperou e blah blah"
Por que eu sou esquentado pra caramba e ontem fiquei sabendo que meu pai já tomou um processo de difamação após xingá-los quando encontrou a filha dela na rua. Eu realmente não queria dar o gosto de levar um processo desses arrombados, eu sei que iria sentar a porrada nele. Não ganharia absolutamente nada além de ódio e stress extra só de olhar pra cara dele, pessoa que eu nunca tive contato antes.
Se fosse alguém da família principal eu ficaria não para xingar, mas para perguntar como que um ser humano consegue ter sangue tão barato e estragar uma casa de tal forma só para fugir igual barata depois. Quando saíram da casa parecia que eles criavam touros e elefantes cegos, pois tudo estrava destruído, as paredes estavam moídas de arrebentadas, com os tijolos a mostra.

E agora?
Agora a pouco ele mandou mensagem pra falar que é só esperar mesmo que o processo de furto, dano a propriedade particular e violação de correspondências irão se ajeitar por conta dele e que o policial disse que irá levar a investigação da família pra um superior.
Eu reforcei a segurança do portão, amanhã estão instalando um sistema de câmeras aqui, é uma grana que eu precisei gastar, pois não sei até que ponto que esses malucos podem chegar agora que acabei com a "âncora segura" que eles contavam na cidade.
Eu tô feliz de ter achado tanta informação sobre quem mexia na minha caixa, e pego o cara no flagra. Só estou decepcionado de não ser a mulher em si que foi pega. Minha família andou procurando o endereço dela desde quando família dela sumiu da minha casa. Os processos até cobrem um tanto do prejuízo que ela deixou pelas contas negligenciadas, mas os danos materiais a residência e móveis foram terríveis de caros.

Tô quebrado da grana, cansado, mas feliz de ter pego um escroto desses. Vou esperar mais um tempo pra ver se tá ok mesmo postar pelo menos a foto do cara mexendo na caixa.
EDIT pós-post:Vou tentar acompanhar pra ver como vai ser o processo judicial do cara, mas deve ser bem menos interessante do que eu imagino, provavelmente vai acabar com só uma multa.Qualquer novidade sobre a situação da família eu atualizo aqui/em outro post

EDIT tosco: percebi que tenho um vício de escrevefalar "cara", desculpa brasil

EDIT 20:45 :
Meu advogado chegou agora e saca só...
É amigos, outra vitória, o cara se fudeu ainda mais, alegou que só mexeu na caixa de correios pq viu algo estranho nela e então machucou a mão. O delegado não engoliu essa por conta do vídeo e do B.O. que eu abri, perguntou pq ele não tinha ido abrir um B.O. ou falar comigo por ter machucado a mão e o retardado se enrolou todo. Ele tá detido até se desenrolar com a história e nem pode alegar que se machucou na caixa kkkk
Massa que o delegado tava rindo depois contando sobre o "machucado na mão", o arrombado só cortou a ponta do dedo. Eu tava perdendo sono e pensando nos comentários sobre tomar processo enquanto o cara tava com a pontinha do dedinho machucado, que dózinho.
Eu e meu advogado estamos tomando uma cerveja aqui,

UM BRINDE A ESSE GRANDE DIA!

Nada sobre a família ainda, meu advogado falou que não querem mexer muito pra eles não entrarem em alerta.

EDIT Cansado:
Sério gente, meus amorzinhos lindos, eu não posso postar vídeo ou foto, já falei 500 vezes em cada reply e parágrafo que a última coisa que eu quero é chegar e colocar corda no pescoço. Enquanto eu não passar endereço, nome, foto e meu nome eu estou seguro.
Ainda sim é como eu falei no outro post...
Um amigo meu da Rússia é paranóico com segurança pessoal, faz de tudo para não ser rastreado e mora em uma casa muito semelhante a minha e tem o mesmo modelo de caixa de correios, então acho que seria bem bacana se digamos, daqui uma ou duas semanas, ele postar uma dessas fotos de um desses dias não específicos e eu der crosspost aqui com o título "olha só como até na Rússia as ruas e caixas de correios são iguais" ou coisa do tipo. Realmente espero que a foto saia um pouco clara, mas não o suficiente pra mostar o rosto de quem possa eventualmente estar passando na rua e se apoiando na belíssima caixa de correios dele. Seria bem engraçado pra gente poder comparar com as nossas ruas e caixas de correios.
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2019.12.07 04:10 unsoberdand ultimas semanas e coisas q machucam a um tempo

eu cheguei num nível q eu pesquisei no google "Nao tenho ngn pra conversar"
descobri o Reddit (não sabia da existência disso aq) e dessa comunidade
faz uns 5 min q fiz minha conta... só pra enumerar as coisas meio merda q tao rolando (nao sao necessariamente o fim do mundo mas em quantidade pequenas coisas podem fzr um estrago mt grande em qualquer um)
eu tenho uma melhor amiga (literalmente só ela mesmo) e eu fui burra o suficiente pra me apaixonar por ela
e como toda historia de amor meio merda ela n gosta de volta etc e tal (isso incomoda mas nao ao ponto de acabar nossa amizade por isso)
2 semanas atrás ela conheceu um cara novo ai (num role q eu n fui pq estava doente as foc) e me parece q eles vão ficar juntos (e isso machuca tb porem ao mesmo tempo eu fico feliz q ela tenha achado ele)
a vale dizer q eu fiquei doente pq Ela estava doente primeiro e me passou uma infecção bacteriana (n q seja culpa de alguém eh só q eh mt azar mesmo) q me deixou uma semana inteira com aquelas ínguas na garganta
ao ponto de um dia eu acordar sem respirar (de tao inchado q ficou)
ir direito pro hospital
tomar o famoso Benzetacil na bunda e mais 4 injeções intravenosas
e entao eu sobrevivi a essa semana
na ultima semana minha cidade ficou sem corre e eu já estava sem bk
roubaram meu cllr no meu primeiro dia de trabalho num lugar novo (ao qual eu nunca mais vou botar os pés) n tenho grana pra um novo entao acho q ate fevereiro ou marco eu devo ficar sem mesmo
eu faltei 5 dos 6 dias de academia q eu treino (por 0 motivos além dos q existem só dentro da minha cabeça)
conheci o boy lá da minha amg (eu n sei quem berrou mais alto... ciúme ou a inveja... mas contive minhas emoções ao máximo pq no final das contas eu sempre soube q n teria chance alguma e a única coisa q eu posso fzr é desejar q ela seja feliz )
eu tenho ansiedade a mt tempo e esse ano desenvolvi depressão
cada dia q passa eu quero me encolher mais no canto q fica meu pc (eh literalmente o canto mais escuro do meu quarto)
cada dia q passa tb eu tenho medo de perder minha única amg
cada dia q passa eu me sinto mais vazia de certa forma
eu n tenho um bom relacionamento com meus pais (e dependo completamente deles ainda)
Em resumo eu aprendi a mentir muito cedo oq ao longo dos anos drenou a confiança deles em mim... e eles sao homofóbicos (o que frustrou minhas expectativas aos 12 anos quando eu cai na real q se eu abrisse meu bico provavelmente teria q achar outro lugar pra dormir... e parando pra pensar esse foi um dos motivos de eu começar a mentir tanto)
hj eu minto muito... tipo o tempo todo ate pra mim mesma... n consigo controlar as vezes ps. relendo o texto eu acabei de ver q eu menti aq kkkkkkkkkkkk eu sequer percebo... eu consertei as partes pq eu quero q seja verdadeiro esse desabafo aq
meus pais odeiam minha amg (eles n sabem q somos amigas ainda) ela sequer pode vir aq em casa e todas vez q nos vemos é escondido (e a culpa tb eh minha pq um dia eu menti e essa mentira em especial tinha perna curta e acabou q parte da treta sobrou pra minha amg)
eu comecei a usar droga cedo tb e agora n consigo largar cigarro e 80% do meu refugio é ficar dopada de alguma coisa (álcool maconha key ou oq tiver pra consumir) todo dia de manha eu fumo um bk pra conseguir tomar café (se tiver gente em casa eu n consigo fumar e n consigo tomar café) todo dia de noite eu espero todo mundo ir dormir pra fumar tb pra poder dormir (meu passatempo preferido eh fzr as coisa chapada pq tudo fica ridiculamente gostoso de se fzr)
eu costumava me mutilar com lamina etc parei com isso porem 3 semanas atrás eu bati incessantemente minha cabeça na parede ate sangrar por motivos de q eu tenho tido brigas (explosivas e frequentes) com meu pai e como ele é meu pai eu sempre me fodo (ele é militar e ve tudo como hierarquia então eu jamais conseguiria falar de igual pra igual com ele na minha condição) na real esse n foi o motivo mas foi a gota dagua q precisava pra transbordar o balde
vai fazer 5 anos q eu engravidei e fiz um aborto improvisado e isso ainda mexe com a minha cabeça
eu to esperando resultado do enem pra ver se eu passo no curso q eu me inscrevi mas acho mt remota a chance pq simplesmente me propus a me preparar esse ano pro enem e n cumpri tudo oq eu tinha q ter estudado
eu tenho um jeito mt estranho de ser eu... e as pessoas normalmente estranham quando eu mostro
entao minha vida é interpretar papeis de outras pessoas (do tipo agir como elas agiriam pra ser aceita em alguma bolha social)
oq me levou ao problema de n saber direito como é minha real personalidade pq é mt natural pra mim agr so imitar as pessoas pra n passar vergonha (vergonha de mim)
eu amo minha mãe ela é um amor e normalmente eu sou cuzona com ela pq eu prefiro q ela me veja como adolescentezinha rebelde do q tudo isso ai q ta escrito em cima e acho q essa foi a pior decisão q eu podia tomar
acho q vou vir aq mais vezes pra escrever... espero q da próxima vez com melhores tópicos do q esses
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2019.10.15 11:43 B34r_w1th_m3 Eu queria ter sido piloto

Peço perdão pelo tamanho, não esperava que fosse ficar tão grande.
Eu queria ter sido piloto...
Dois anos e meio atrás eu estava meio à deriva no mundo. Estava no segundo ano ensino médio e não sabia exatamente o que fazer da vida. Não me sentia pertencente a nenhum lugar, não tinha exatamente planos pro meu futuro, meu relacionamento com meus pais ia de mal a pior e ainda por cima me metia em brigas.
Eu estava irritado com o mundo, mas eu não podia socar o mundo (embora com certeza eu tenha tentado, ficado com marcas nas minhas mão até hoje para me lembrar de não fazer mais isso). Queria desaparecer, me desintegrar. Me mostraram uma prova que teria para à Academia da Força Aérea e eu pensei "Vou me tornar piloto e voar pra longe de tudo e todos".
Me empenhei como nunca, estudei como um condenado para a prova que viria um Junho, porém houve um problema: eu me apaixonei. Me apaixonei pela aviação. Isso não estava nos meus planos, não era pra isso ter acontecido, mas aconteceu. Eu entrei em contato com esse mundo e me encantei. Ser piloto, ser militar, fazer algo que eu sentia que me deixaria completo. Eu agora queria virar piloto, piloto de resgate ainda.
Me apaixonei também por uma garota, algo que também não estava nos planos. Eu já havia amado antes, mas isso era algo diferente. Era algo que eu não consigo explicar exatamente até. Pra ser sincero eu não sei nem exatamente explicar como que essa mulher entrou na minha vida, só sei que um dia ela estava lá eu eu não queria que ela fosse embora. Melhorei por conta dela. Larguei a raiva, as brigas, as frustrações. Tentei realmente me tornar um homem melhor por mim, pelos outros e, especialmente, por ela.
Por muito tempo as coisas na minha vida estavam boas. Realmente boas. No dia de fazer a prova da AFA, passei pra segunda fase (algo que eu honestamente não imaginei que fosse realmente acontecer). Comecei a treinar para os testes físicos que eu teria de fazer para provar que eu estava apto para me tornar um militar. Apto para me tornar um piloto. Meu relacionamento com a garota ia ficando cada vez melhor. Eu não acreditava que existiam pessoas feitas uma para as outras, mas comecei a acreditar. Comecei a acreditar nisso, logo eu que sou a pessoa mais cética que conheço.
No dia de fazer os exames físicos, fui reprovado por ter queimado a linha de largada de uma das provas. Serei sincero com você, reddit, doeu ter sido barrado naquele ponto, especialmente por uma coisa tão boba quanto pisar numa linha, mas foi uma dor momentânea. Eu agora sabia o que eu queria da minha vida. Eu queria ser piloto, queria continuar esse relacionamento com essa mulher que sabe-se lá como eu tive a sorte de ter na minha vida.
Virou o ano e comecei novamente a me preparar para a prova que teria em junho. Estava confiante e determinado. Foram seis meses de preparo duro, mas que valiam a pena. Eu enxergava na FAB e na mulher meu futuro. Chegando em junho eu fiz a prova novamente. Saí da sala de prova confiante que havia conseguido passar pra segunda fase. Passado cerca de um mês saiu o resultado. Fui reprovado.
Eu não atingi a nota mínima em matemática para passar para a segunda fase. Quando fui corrigir minha prova com o gabarito oficial, havia contado que havia tirado mais do que o necessário para passar. Até hoje suspeito que cometi um erro na hora de passar o gabarito. Posso estar errado, porém. Talvez eu tenha ido pra prova confiante demais sabendo de menos.
Fiquei desesperado, já que minha mãe havia me dado somente aquele ano para passar numa faculdade. Eu não consigo por a opção "Aviação" num vestibular. Não sabia para o que prestar. Mas não havia problema, já que a mulher que eu amava ainda estava comigo. Decidi, depois de muito pesquisar e conversar com amigos e meu pai, prestar engenharia mecatrônica. Era uma área que eu me interessava, mas, honestamente, não me imaginava trabalhando com ela. Decidi fazer isso, mas eu ia tentar a prova da AFA uma terceira vez no ano seguinte.
Chegando o final do ano, época de vestibulares, a ansiedade dos alunos está no seu máximo. Muitos sentem a pressão desse sistema injusto. Uma competição brutal, se me perguntar. Eu, tentando focar no meus objetivos, não fui afetado muito por ela, mas minha namorada foi. MUITO afetada. Sua ansiedade despertou de uma forma esmagadora. Ela se viu no conflito entre prestar o vestibular para a área que ela amava e prestar para a área que achava que deveria fazer, já que arte não tem renda tão garantida assim. Ela não queria mais sair de casa, ver seus amigos e a mim, fazer antes as coisas que amava. Ela foi definhando. A mulher que eu amava estava se afundando num buraco que sua própria mente cavava. Me doía ver aquilo. Eu tentava ajudar, mas a melhor ajuda que eu consegui fazer era manter minha distância.
Não muito tempo depois que isso começou, ela admitiu pra mim que não me enxergava mais como uma pessoa que lhe causava prazer, mas sim como uma responsabilidade. Ela se forçava a falar comigo para não me magoar, mesmo que a ansiedade dela fizesse com que ela quisesse se isolar de todos os seres do mundo. Ouvir aquilo me feriu de uma forma que nada até hoje chegou perto de fazer igual. Já levei muitos socos, chutes, cortes e diversos outros tipos de ferimentos, mas aquilo fez algo comigo que me fez questionar minha própria existência.
Eu estava falhando em proteger a pessoa que eu mais devia proteger nesse mundo. Estava fracassando na minha única missão que realmente importava, que era fazer ela feliz. Eu era um fardo pra ela, uma responsabilidade que só aumentava os seus sintomas.
Sabendo de tudo isso, fiz a última coisa que eu pensei que teria de fazer: terminei com ela. Cada célula do meu corpo dizia para eu não fazer isso, que íamos conseguir passar por esse momento delicado. Mas eu sabia que não íamos. Eu era uma das fontes da tristeza dela. Ignorando cada parte de mim que protestava, terminei com ela para o próprio bem dela. Ela tinha que melhorar a qualquer custo, mesmo que esse custo fosse o nosso relacionamento.
As coisas só pioraram então. No início do ano seguinte, 2019, fui diagnosticado com uma espécie de diabetes. Isso significava que mesmo que eu passasse na prova escrita da AFA eu seria reprovado nos exames médicos. Meu sonho de ser piloto se foi. O futuro que eu havia sonhado por um ano e meio se foi. A mulher que eu amava e as minhas asas. Talvez eu tenha sonhado demais. Talvez eu tenha sido Icarus e voado perto demais do sol e me queimado. Talvez eu podia ter evitado tudo isso se eu tivesse sido menos arrogante na hora de fazer a prova e se eu tivesse sido menos um fardo para a minha namorada.
Eu estava novamente perdido. O que que eu deveria fazer? O prazo imposto estava prestes a acabar. Tentei me recompor ao máximo e traçar um novo plano. Deixaria meu choro somente para as noites no meu quarto, porque de dia eu precisava trabalhar, pensar num novo rumo.
Passei pelo ENEM pra uma faculdade boa em outro estado para engenharia mecatrônica. Eu estava agora ficando com uma outra garota, porém nada tão intenso naquele momento quanto era com a minha ex. As coisas estavam tomando um rumo que havia potencial. Mas não era meu sonho.
Meses se passaram e cá estou, distante do estado de onde eu vim. Estou namorando essa nova garota faz um tempo já e as coisas estão indo muitíssimo bem. Eu estou gostando de fazer essa faculdade. Morar sozinho tem sido uma experiência fantástica. Fiz novos amigos e estou vivendo uma vida nova. Ainda assim eu ás vezes queria poder mandar uma mensagem pra ela e dizer "você ia amar o céu estrelado daqui", ou "eles rasparam meu cabelo no trote da faculdade!". Queria poder olhar para um avião no céu e não soltar um suspiro triste, pensando como a vista lá de cima deve ser bela.
Estou escrevendo isso, reddit, porque hoje descobri que ela está namorando um outro cara. Isso me abalou de início. Me senti injustiçado. " Por que que ele podia ficar com ela e eu não?" eu fiquei me perguntando por horas enquanto eu chorava em minha cama. Quando todo esse momento passou, eu pude refletir um pouco melhor. Estou feliz por ela, de verdade, até porque eu fui o quem seguiu em frente primeiro. Porém, o mais importante, isso mostra que ela está bem de novo. Bem o suficiente para confiar de novo em alguém da forma que ela confiava em mim. Isso é tudo que eu quero, que ela esteja bem. Devo admitir, porém, que, assim como eu invejo o piloto do avião, eu invejo esse novo cara. Tanto o piloto quanto ele tem uma vista muito bela diante deles.
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2019.07.22 03:17 TYagami Domadores de Almas - Destino, Espiritualidade e Apocalipse

Não acho que o nome tenha te trazido até aqui, mas se você não segue nenhuma religião, mas tem uma crença, e ainda por cima tem contato com espíritos, acho que já podemos começar nossa conversa.
Primeiramente, muito prazer.Eu nem sei o que eu estou fazendo aqui pra começo de conversa porque jamais me imaginei fazendo isso...
Caí aqui no Reddit meio que de paraquedas. No meio de uma conversa com um amigo meu, ele me disse para vir aqui e criar um post contanto minha história porque querendo ou não, tem mais pessoas envolvidas e muitas delas já sabem também que foram escolhidas para um "algo maior". Mas... Ao invés de enrolar mais, vou explicar do começo.

Meu primeiro contato com algum espirito foi aos 3 anos de idade. Eu me lembro de ter visto uma mulher de pele clara, cabelo comprido preto e usava uma roupa branca, parecia uma camisola. Uma criança normal se assustaria, já eu... Por algum motivo eu decidi falar com ela.
- Quem é você? - Perguntei.
- Um alguém. Só um alguém. - Respondeu. - Quer ser meu amigo? Sorriu a moça.
- Tá. - Respondi.
No momento em que eu respondi, ela sumiu e eu apaguei.
Alguns anos se passaram e nunca mais tinha visto aquela moça. Pra mim, aquilo tinha sido apenas um sonho. Engano meu.
Não entrarei em detalhes sobre a moça no momento para não deixar a história muito extensa e principalmente pra mim não perder o foco do post. E antes que perguntem, sim, ela ainda está comigo.
Eu sempre fui uma criança bem extrovertida, de uma imaginação muito fértil e sempre amei desenhar. Então, por conta da criatividade, as coisas que eu via/ouvia/sentia que eu não podia contar pra ninguém, eu decidi começar a escrever uma história: Domadores de Almas. Não, não são pessoas que controlam almas... Na verdade, são espíritos que são mandados para a Terra (o carnal) para encontrar pessoas capazes de receberem certos poderes/habilidades e também para que até esses espíritos ficassem mais fortes, conseguindo liberar até mesmo 100% de seu poder total. O porque desses espíritos terem vindo até nós? Um mal ia nascer a partir dos 7 pecados e esse mal irá destruir os dois lados, por isso eles receberam essa missão.
História legal, né? kk
Só que parecia que algo ou alguém não queria que eu escrevesse essa história porque sempre que eu ia escrever o capitulo 4, algo acontecia. Se fosse no caderno: A folha rasgava por conta da borracha, a ponta do lápis quebrava, a caneta estourava... Se fosse no computador: O word travava, o pc travava e até a força chegava a cair!
Ainda não "acreditou", né? Tá bom.
Com 19 anos me batizei na igreja evangélica. Pois é. Sou evangélico. Mesmo com tudo o que sempre aconteceu na minha vida, decidi seguir a Cristo rs e não me arrependo. A história? Bom, estava parada. Nunca dava pra continuar, então deixei ela de canto. Mentira. Eu pensava que era algum bloqueio meu e tentava de novo, mas ai era desde o começo e com isso as mudanças e alterações vieram, coisas que deixaram a história mais real e um pouco mais pesada também.
Toda pessoa quando cria ou faz algo tem a vontade de mostrar para a família, né? Desde os 12 anos quando eu comecei a escrever essa história eu sempre quis mostrar ela pra minha mãe e pra minha irmã mais velha. Meu pai nunca ligou muito. Sabem o que elas falavam? "Que era do demônio". Gente, como é do demônio se eu nunca li, vi, estudei ou até mesmo procurei sobre algo do tipo? Mesmo vendo e ouvindo coisas, eu tinha medo! Não gostava! Mas não quer dizer que eu procurava. ME DESCULPA SE QUANDO PASSAVA DRAGON BALL Z EU GRITAVA "SATAN, SATAN" NA SALA COM A MÃO PRA CIMA, MAS ACREDITA EM MIM, EU NUNCA PESQUISEI! E MR. SATAN É O NOME DO TIOZINHO ALI!!
Lembram? Me converti, entrei pra igreja e fui conversar com meus pastores sobre o assunto. Resumindo? Apaguei a história e queimei todos os meus desenhos referentes a minha história. Todos que de acordo com o espirito santo tinham que ser queimados/destruídos.
Eu, minha mãe, minha irmã mais velha e meus pastores descemos para uma rua aqui perto de casa que é calma e levamos os desenhos (todos que achamos), uns tapetes e uma mesa de plastico branca que íamos jogar fora. Aproveitamos pra queimar tudo junto. Peguei uma folha, molhei com álcool Zulu na ponta, peguei o esqueiro e acendi. Tava lá, a chama azul, toda bonitinha e o papel ainda branco. Branco. Não queimava. O papel não queimava. Ok, álcool de cozinha é fraco. Vamos na ponta seca. ... ... ... ... É... Acho que o problema não era o Zulu. O papel não quer pegar fogo mesmo. Parti pro tapete. Fui e pensei: "Pelo menos os fiapinhos vão pegar fogo...". Nem os fiapos do tapete pegavam fogo. A chama azul lá parada e nada acontecia. Ninguém tava acreditando. Meus pastores pegaram o carro deles e levaram tudo para o monte onde lá pegou fogo sem exitar.
Quase entrei em depressão depois disso. Eu não desenhava mais. Não escrevia mais. Nunca fui fã de copiar desenhos, sem gostei de criar os meus. Aí, num certo dia eu tive um sonho. Era muito real pra ter sido só um sonho. Eu estava num campo. Um lugar lindo. Um céu limpo com poucas nuvens, uma brisa gostosa. Do meu lado direito tinha uma montanha que por ela descia uma cachoeira e do lado esquerdo era só campo. Na minha frente tinha alguém, mas eu não conseguia ver seu rosto. Era como se o Sol estivesse atrás dele impedindo com que eu visse sua face. Ele usava uma roupa branca com uns detalhes amarelos ou eram dourados. Ele me olhou, esticou a mão em minha direção e disse:
- Vem. Vamos conversar.
Sua voz era calma. Forte, mas passava tranquilidade. Por algum motivo eu não conseguia falar e então ele continuou.
- Sabe... Tem muita coisa que gostaria de falar, mas a principal é... Sabe o porque de não conseguir escrever a história do capitulo 4 em diante? O porque de tudo isso acontecer? - Perguntou e esperou. - Porque do capitulo 4 em diante você envolveria pessoas reais. Seus amigos, os que você colocou como personagem, todos eles passariam pelo mesmo que você passa e poderia ainda acontecer coisa pior por conta da história deles. Compreende agora? - Apenas assenti que sim. - Agora sobre seus desenhos, você pode dar continuar com eles, mas com um porem. Vamos usar o ser humano como exemplo. Um homem comete vários crimes em sua vida, mas num certo ponto ele decide mudar. Ele decide ser diferente. Se arrependeu de tudo o que fez e agora segue uma vida ajudando as pessoas, fazendo a diferença. Entendeu onde eu quis chegar? Mesma pessoa, mas com atitudes diferentes. Seus personagens, ainda pode fazê-los, mas eles não podem voltar a ser quem eram. Tudo bem?
Antes que eu pudesse pensar em responder, fui acordado.
Depois disso voltei a desenhar e comecei uma história nova, mas uma coisa começou a acontecer e eu estava com medo de contar pra alguém e ser taxado de louco. mais ainda
No dia 3 de Fevereiro de 2018, no primeiro final de semana de Carnaval, foi onde "tudo começou".
3 amigos meus estavam comigo aqui em casa. Íamos pro bloquinho tanto no Sabado quanto no Domingo, mas alguma coisa tinha acontecido que não fomos no Sabado e íamos no domingo. Eu então recebi uma mensagem de um amigo meu me chamando para ir na casa dele comer pizza e beber alguma coisa, disse que estava com uns amigos, ele disse que não se importava e fomos todos. Nos dividimos em "2 grupos". Eu, Ele e um amigo meu fomos comprar bebida. A mulher dele, e os meus dois outros amigos ficaram lá com ela. Do nada, no meio da caminhada, entramos no assunto espiritualidade. Assim que chegamos na casa dele, ele me olhou e pediu pra perguntar sobre o que eles estavam conversando e em que parte eles estavam. Quando perguntei, sim, eles estavam na mesma parte que a gente, e foi ai que o assunto "bombou" e ficamos conversando sobre isso o resto da noite. No meio da conversa, ele me olha e diz:
- Tá, vamos lá. A sua moça tá aqui na minha direita dando em cima da minha entidade, né? - Perguntou ele.
- Como você? Como é que você sabe? - Perguntei.
- Ele... Isso não tem graça! - Respondeu minha moça toda sem jeito.
- Agora... - Ele então continuou. - Aquele ali é seu outro, não é? - Perguntou apontando para frente.
- Espera. Ela eu entendo você saber porque as vezes eu não resisto as piadas dela e olho pra ela sem graça, mas ele? Eu nem olhei pra ele e você sabia que ele tava ali? - Perguntei. Eu não estava acreditando.
- Do que ele tá falando? - Perguntou um amigo meu.
- E que moça? - Perguntou uma amiga minha.
Foi nessa noite que meus amigos souberam dos meus amigos. E foi nessa noite que eu descobri também que não eram amigos imaginários e que tudo o que eu tinha vivido, era 100% real.
Contei pra ele dos meus desenhos, da história e de como tudo acabou e ele ficou nervoso. Muito nervoso.
- Porque você fez isso? Apagar sua história e queimar seus desenhos? Pra que? Se tinha algo te atrapalhando era só falar comigo que eu eliminava esse ser.
- Então... Eu não fiz porque 1°: Pensei que fosse Disney minha e 2°: Não sabia de você e muito menos de mim.
- Tá, mas de verdade? Eu tenho certeza que você foi destinado a escrever essa história e sabe o que eu acho? Que depois que você apagou a história, você tá vendo todas as cenas acontecendo de verdade na sua frente. Do mesmo jeito que você tá me vendo agora, você vê as cenas. Tô mentindo? - Sorriu ele.
Ali meu mundo caiu. Lembram ali em cima quando disse que algo começou a acontecer depois que eu parei com a história? Então. Foi isso. E eu não tinha contado isso pra ninguém. E eu não conversava com esse meu amigo mais.
Depois dessa noite muita coisa na minha vida mudou. Eu precisei incorporar meus dois amigos porque esse meu outro amigo queria conhecê-los porque precisava saber se iam me fazer mal ou não. Ele queria falar com eles e esse teria sido o único meio ali já que eu já tinha dado abertura para os dois. Depois disso, além de ganhar alguns "dons" acabei ficando sem asma e meu problema de coluna.
2 meses depois enquanto voltava para o escritório depois do almoço, tem um galho abaixado, muito caído no meu caminho e uma das suas folhas ia me acertar se eu empurrasse ela ou me abaixasse. Eu bati na folha e com isso o galho levantou, mas voltou depois pro lugar que tava. De repente...
-Ai... - Ouvi uma voz infantil vindo de trás de mim.
- Acho que batemos em alguém. - Respondeu um dos meus amigos.
Quando eu olho para trás, atrás daquela folha tinha alguma coisa. Eu parei, olhei, vi duas mãozinhas segurando a folha, ele estava escondido.
- Cês tão vendo isso também? - Perguntei e eles disseram que sim.
Fui devagar até a folha e quando estava chegando, vi uma cabecinha me olhando e assim que percebe que eu a percebi ela volta pra trás da folha.
- Tem alguém ai...? - Perguntei.
- Por favor não me bate de novo, eu não fiz nada, eu só tava aqui na minha folhinha.
- Calma, eu não vou te bater e me desculpa, foi sem querer. Eu não sabia que você estava aqui.
- Ah, tudo bem então. Sua energia é boa. - Sorriu ele saindo de trás da folha. - Só a do seu amigo aí que me assusta. A energia dele é pesada. Me dá medo.
- QUE COISINHA FOFA! - Ouvi minha amiga gritando saindo de dentro de mim e indo pra cima dele apertando suas bochechas.
Vou cortar o dialogo...
Depois de conversarmos um pouco, acabei chegando na história. A reação dele não foi uma das melhores...
- O QUÊ? VOCÊ É UM DOS ESCOLHIDOS? - Gritou o pequeno. tem 19 centímetros ele.
- Escolhidos? Do que?
- Do Apocalipse. Um dos que vão ficar aqui pra batalha.
- Isso é real? Porque assim... Quando eu era pequeno que eu tinha lido apocalipse e pedia nas minhas orações pra estar na Terra ao lado de Deus e tudo mais, eu não esperava que fosse real ou que fosse dar certo.
- Não importa como foi! Eu quero ficar com você. Vou te proteger. Você me aceitando como parceiro ou não, vou te proteger. Passei muito tempo nessa arvore esperando um motivo pra sair dela e finalmente achei. Vou com vocês.
Só que... Parece que alguém mais ouviu nossa conversa...
No dia seguinte eu acordei com um grito de uma criança de madrugada.
- O que aconteceu? - Perguntei. Eu sabia que não era um sonho, porque quando sou acordado por eles é diferente.
- Nossa conversa ontem... Ouviram.
- Como assim "ouviram", pirralho. Desembucha. - Disse meu amigo rosnando.
- Calma. Me explica isso melhor.
- Eu não sei o que aconteceu, mas deveria ter alguém seguindo vocês já e agora o mundo inteiro já tá sabendo de você e que "você tá montando um exercito pro apocalipse".
- Exercito? Eu só queria escrever uma história...
- Desculpa, a culpa foi minha da gente ter conversado na rua e eu nem lembrei de fazer uma barreira também.
- Agora já foi. - Rosnou meu amigo.
No dia seguinte, no meu grupo do WhatsApp grupo do tinder rs. Entrou um rapaz do DDD 81 que depois que viu minha apresentação no grupo me chamou no privado e depois simplesmente saiu do grupo. Conversei com ele e tudo mais e depois perguntei o motivo dele ter saído.
- Já te encontrei. Não preciso de mais nada no grupo. - Respondeu o rapaz.
- Eu tô falando pra você que esse viado é do babado, mas você não me escuta... - Disse minha amiga.
- Own, que fofo. - Respondi.
- Fica tranquilo que daqui, que mesmo longe eu vou estar te protegendo. - Continuou.
- Aaaah, se eu ganhasse 1 macho a cada palpite certo meu... - Debochou minha amiga.
- Posso fazer uma pergunta? Qual sua religião? - Perguntei.
- Não tenho uma religião. Acredito em Deus, mas também acredito em outras coisas.
Quando ele disse isso... Alem de confirmar que minha amiga estava certa, também comprovou que era alguém "como eu", que tem amizades assim com espíritos e tudo mais. A gente continuou conversando, ele acabou conversando com ela, mas por um mal entendido, ele sumiu. Ela disse pra ele que "Tinha que passar por ela e pelo meu outro amiguinho pra me ter"... Foi triste. Mas seguimos. Mas não acabou por aqui. Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Portugal... Gente de vários lugares por algum motivo conseguiam meu numero, não sei como, a gente conversava e dava no mesmo. Não a parte da minha amiga falando aquilo, mas era todo mundo do "meio".
No meio do ano, em Junho de 2018 se não me engano recebi uma ameaça aqui em casa. Cercaram a minha casa e me mandaram um "aviso"
- Pode avisar para todos esses seus amigos "Domadores" que o "exercito" de vocês não chega aos pés do nosso.
Ele tinha entrado aqui em casa com outras entidades, ameaçaram de destruir meus amigos e me mandou mandar esse recado para os meus amigos que estavam nesse grupo do WhatsApp sobre o assunto.
Depois disso fomos atrás de ajuda. Eu nem sabia que dava pra atacar alguém espiritualmente, ou melhor, eu nem acreditava que pelo espiritual poderiam ser feitas tantas coisas... Eu era recém-nascido no assunto praticamente. Não tive treinamento nenhum.
Uma amiga então me disse que tinha um grupo perto da casa dela que eram do meio. Pedi para ela falar com eles dizendo que precisávamos de ajuda e fui ao encontro deles. A diferença entre nós dois? Meu grupo e o deles? O que nós conhecemos por "Apocalipse" eles conhecem por "Ragnarok". Eles estavam dispostos a nos ajudar e chegaram até a nos propor uma "aliança" entre nosso grupo e a alcateia deles, mas... Sabem minha "amiga"? Não sei se é ela que tem as visões ou se graças a ela eu consigo ter elas, mas vimos que parte deles estariam no outro time e... Eu me apego fácil as pessoas.
- Sabe que se a visão for real, alguns deles morreram pelas nossas mãos, não é? Melhor nos afastarmos sem nenhuma inimizade pra caso venhamos a nos encontrar na rua do que algo pior venha a acontecer. Sei que vai doer mais em você do que em mim. Ou melhor, em nós. - Disse meu amigo. o que rosna
Eu concordei. Ele estava certo.
Depois disso, um amigo meu que é do "meu grupo" me disse:
- Cara, porque não vai no Reddit, cria um post contando tudo e vê se consegue encontrar mais pessoas? Tá, é uma faca de dois gumes porque pode ser que apareçam pessoas querendo nos ajudar, mas também podem aparecer pessoas que vão querer nos matar a qualquer custo! O que nós, não só nós sabemos, mas todos sabem... O tempo está próximo mesmo. Não acho que essas coisas aconteceriam a toa. Acho que custa tentar. - Disse esse meu amigo.
- O que vocês acham? - Perguntei para os meus amigos.
- Não podemos sujar nossas mãos de sangue agora, mas se tentarem machucar você, não exitarei em incorporar para te proteger. - Rosnou meu amigo.
- E se forem para nos ajudar, os ajudaremos também! Com tudo o que pudermos. Se for um boy gato eu ajudo mais ainda hihi - Brincou minha amiga.
- Antes disso eu tenho que voltar a escrever a história. Só ai vou confirmar mesmo que eu aceito meu destino. - Disse.
- Infelizmente nós dois já aceitamos o nosso. - Sorriu minha amiga dando um tapa no braço do meu outro amigo.
- Domadores até o fim?
- Uma vez domadores, sempre domadores. Não importa o que aconteça. - Sorriram.
Depois que decidi que ia fazer a história e seguir com isso, tive outro sonho, naquele mesmo lugar, com aquele mesmo homem. Dessa vez eu estava em pé.
- Tem certeza de que vai seguir em frente com isso? - Perguntou ele.
- Sim. Tenho. Se eu fui destinado a escrever essa história, a estar mesmo nessa luta, mesmo que eu vá ficar com muito medo quando chegar a hora, eu vou em frente. Sem falar que... E se essa história tiver informações que possam ajudar algumas pessoas ou avisá-las sobre o que está por vir. Se acontecer algo com elas e eu não tiver avisado, vai doer bem mais em mim do que nelas, porque eu tinha a informação, mas quis guardar elas pra poupar umas 10, então... Não compensa.
- Então está certo. Que assim seja.
E ai acordei.


E é por isso eu tô aqui. Não sei se vai aparecer o horário no post com a data tudo certinho, mas agora são 22:20 de um Domingo, dia 21/07/2019 e tá dando pra sentir uma pressão muito forte vindo do lado de fora da minha casa. Eu não ia escrever esse post hoje, nem sei até quando eu ia continuar enrolando pra escrever isso, mas... Por algum motivo... Peguei meu celular pra jogar Grand Chase e o Reddit abriu. Se eu entendi? Não entendi. E como eu sei que a vida dá dessas, então eu pensei: Porque não? Deve ser a hora.
Ps: Não adianta me chamar de louco, sei que sou. kk
Ps 2: Não vou revesar o post como eu sempre faço com qualquer texto meu que eu reviso sempre umas 3 vezes. Então, escrevi, postei. kk
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2019.05.30 22:09 KoopaTrope Sonhos lúcidos

- É sua tarefa, Luís, não minha.

- Eu sei, só estou pedindo ajuda. Você não pode me explicar?

O escritório inteiro olhava para os dois, mas a colega com quem ele falava nem tirava os olhos da tela para respondê-lo.

- Não. É responsabilidade sua.

Ele ficou ali, de pé, constrangido. A mulher acrescentou:

- Pôr calças também seria uma boa ideia.

Luís percebeu que estava pelado abaixo da cintura. Cobriu suas partes com as mãos e, envergonhado, voltou ao seu lugar. Sentou-se e fingiu que estava tudo normal. Perguntou-se se Mara havia visto aquela humilhação toda.

Tentou trabalhar, mas raciocinar estava difícil, então abriu o Outlook e digitou:


“Para: Suporte Técnico Assunto: Café Mensagem: 

Olá, Poderiam, por favor, me trazer uma xícara de café? Aguardo sua resposta. Atenciosamente, Luís Monteiro” 


Assim que enviou o e-mail, Mara veio ao seu cubículo conversar. Ela estava de saia rosa e uma boa parte da coxa de fora. Luís afundou-se na cadeira tentando esconder sua nudez debaixo da mesa.

- Precisa de ajuda? - A voz, assim como o rosto, era da sua ex, mas aquela era a Mara mesmo assim.

- Preciso.

Ele tentou se lembrar aonde estava guardado, na rede, o arquivo que precisava preencher. Abria diversas pastas mas não o achava. Mara mudava o peso de uma perna para a outra, impaciente.

Ele clicou duas vezes em um arquivo e um emulador de Super Nintendo se abriu, com as palavras “STAR WARS” em amarelo num fundo preto. A versão 16-bit do tema do filme tocando alto.

- Não sei o que é isso - ele mentiu enquanto tentava abaixar o volume da caixa de som, sem sucesso. - Nunca instalei isso. Não é meu.

Diversos colegas se aproximaram para olhar sua tela.

- Aqui está o café! - gritou o cara do suporte técnico, tentando ser ouvido por cima da música.

Luís tentava fechar a janela do emulador, mas não conseguia. O logo amarelo se distanciava da tela e um texto o seguia lentamente pelo espaço. A música continuava jorrando. O cursor estava em cima do “X”, mas quando ele clicava nada acontecia. No desespero, acertou com o cotovelo a xícara que havia surgido em cima da mesa. Mara gritou quando o café pelando caiu na sua perna.

- Desculpa! - Luís disse se levantando.

Os olhares dos colegas o lembraram que ele estava pelado. Mara chorava. Ela tirou a mão da coxa revelando uma ferida em carne viva.

- Desculpa! - Ele implorou.

A menina olhou para a nudez de Luís. Sua expressão passou de dor para surpresa, e logo para a de desespero.

- Na sua barriga também! - Ela disse, apontando para o jovem.

Ele olhou para baixo.

Sua barriga estava tostada. Bolhas cresciam e estouravam, fazendo sangue e pus escorrerem pelas suas pernas.


Tudo aquilo desapareceu, exceto pela música, e Luís viu-se em seu quarto, deitado na cama. O lap top estava quente em sua barriga ainda com Super Star Wars ligado. Fechou a janela do jogo assim que entendeu o que estava acontecendo. Ah, silêncio!

Havia chegado tarde do trabalho, descongelado e comido uma lasanha e deitado no escuro para jogar um pouco e relaxar. Nem percebeu quando caiu no sono. Devia ter esbarrado em alguma coisa e o lap top saiu do modo inativo, o acordando.

“Que merda de sonho”, pensou. Ter pesadelos já era ruim, mas sonhar que estava trabalhando era horrível. Chegara do serviço e pegara no sono por oito horas, só para trabalhar lá também. E agora já tinha que voltar pro escritório. Era como se fizesse três turnos emendados. O pior é que esses sonhos estavam cada vez mais frequentes.

Pensou sobre o pesadelo que teve. Aliviava-se ao lembrar dos detalhes e se assegurar de que nenhum deles tinha acontecido de verdade. Riu da ideia de pedir um café por e-mail para o suporte técnico. “Acho que vou fazer isso hoje”, brincou para si mesmo, começando a ficar grogue de sono novamente. Abriu os olhos com urgência e checou as horas no celular. Faltavam quinze minutos pra ter que se levantar.

Quinze minutos era o pior. Muito pouco para voltar a dormir mas muito tempo para desperdiçar se levantando. Já que estava com o computador na cama, abriu uma janela do Reddit e começou a navegar.

No meio de memes e gifs de cachorros, viu uma postagem que, se houvesse visto em outro dia, teria ignorado, mas hoje lhe chamara a atenção. Era um texto sobre sonhos lúcidos. Ele já havia ouvido falar naquilo, sabia que tinha a ver com controlar seus sonhos. “Num pesadelo como o de hoje isso seria muito útil”, pensou.


Ao meio-dia, enquanto almoçava, Luís leu o artigo salvo no celular.

O conceito era o que imaginava: controlar a si mesmo e tudo ao seu redor nos sonhos. A maneira como se alcançava isso era percebendo que estava sonhando sem acordar. Assim a realidade era sua para ser modelada. “Eu poderia fazer o que quisesse”, pensou. “Poderia ser um jedi, ter uma Ferrari, comer a Megan Fox…”.

Leu atentamente a segunda parte do texto, que ensinava como atingir a lucidez nos sonhos.

A primeira dica era ter um diário de sonhos, que deveria ficar na cabeceira da cama, tanto para que fosse possível anotá-lo antes de esquecê-lo, quanto para que de noite a pessoa caísse no sono perto do caderno. Isso faria com que ela inconscientemente se preparasse para sonhar, aumentando suas chances de perceber que sonhava.

Aquilo pareceu bobagem para Luís. Esse papo de inconsciente não era sua praia, mas o próximo ponto parecia mais racional e o fascinava.

Tratava-se de outro tipo de truque para perceber que se estava sonhando. A grande sacada era se viciar nesses truques, de maneira com que a pessoa começasse a testar o seu redor mesmo sem pensar a respeito, até que em algum momento acabaria fazendo aquilo sem querer em um sonho, e então perceberia que estava dormindo.

Dois desses truques fizeram muito sentido para Luís. Um era olhar a palma de sua mão o tempo todo, de cinco em cinco minutos, se possível, todos os dias, até que começasse a fazê-lo sem pensar. Acabaria conhecendo a imagem da sua palma, e quando, por vício, fizesse aquilo em um sonho, reconheceria que aquela não era exatamente a sua mão.

Outro truque que Luís achou que podia funcionar com ele era se viciar em apertar todo interruptor de luz que visse. Teria que, toda vez que entrasse em uma sala sozinho, procurar um interruptor e apertá-lo. Segundo a postagem, assim como a palma da mão, a mudança da luz em uma sala era difícil de ser reproduzida perfeitamente por nosso cérebro.

Se ele era influenciável o suficiente para frequentemente sonhar que estava trabalhando, não via porque não conseguiria condicionar-se a testar uma dessas coisas num sonho.


- Tá tudo bem? - Perguntou Pedro, ao flagrar Luís, de novo, olhando para a palma de sua mão.

- Sim, tudo certo.

Pedro sentava ao seu lado e provavelmente o veria fazendo aquilo diversas vezes ao dia, então Luís abriu o jogo:

- Eu só estou fazendo um teste. É um truque para se ter sonhos lúcidos.

O colega franziu a testa.

- Isso é quando você tem um sonho super realista, tipo A Origem, né?

- Mais ou menos. - Ele respondeu, sem saco para explicar, e com um pouco de vergonha também.

Após os dois ficarem em silêncio por um instante, Luís checou novamente sua palma. Pedro balançou a cabeça negativamente e balbuciou:

- Coisa de louco.

Luís ouviu esse tipo de comentário diversas vezes nos dias seguintes. Mesmo assim, sua força de vontade o fez continuar. De cinco em cinco minutos, as vezes ainda mais frequentemente, ele checava sua palma, não se importando com quem via. Começou a fazê-lo sem pensar, até na frente da Mara.

Sempre que entrava em um cômodo novo e se via sozinho, procurava o interruptor e o apertava, prestando atenção em como a luz se apagava e se acendia. Não importava se estava em casa, no escritório ou qualquer outro lugar. Chegou a apagar a luz sem querer na cozinha do escritório enquanto umas dez pessoas almoçavam. Apenas pediu desculpas e acendeu a lâmpada, aproveitando para reparar bem em como isso mudava o ambiente.

Até a dica do diário de sonhos ele seguiu. No começo sentiu-se um pouco ridículo escrevendo seus sonhos, mas acabou gostando de ter um jornalzinho e poder reler aqueles sonhos bizarros que sumiam de sua cabeça alguns minutos após acordar.

Após dois meses ele havia quase desistido daquilo tudo. Quando apertava um interruptor ou olhava para a palma de sua mão se perguntava por que estava fazendo aquela idiotice, mas então imaginava-se voando num sonho, e sendo um rei por oito horas, todos os dias, e insistia no hábito.


Um dia Luís estava com a Mara na casa dela. A aparência era da casa de sua avó, mas era a da Mara mesmo assim. Sentados no sofá, os dois conversavam, e a menina o tocava quando falava, e ria toda vez que ele fazia um comentário engraçado. “Isso está indo muito bem”, ele pensava, e pela primeira vez perto dela falava com confiança.

- Sabia que seu nome é de uma personagem do Star Wars?

- É mesmo? - Ela arregalou os olhos, muito interessada.

- Sim. Mara Jade. E o seu olho é verde, igual jade…

- Uau! Que coincidência!

- É! Eu pensei nisso assim que me apresentaram você, quando eu entrei na empresa.

- Eu tenho uma coisa do Star Wars aqui.

A moça se levantou e se trancou no closet. Depois de alguns instantes saiu vestindo uma longa tanga vinho que cobria a parte da frente e de trás de sua cintura, aberta nas laterais, um biquini metálico, pulseiras douradas e um colar apertado, do mesmo metal, do qual saia uma corrente. Seu cabelo trançado caia decorado por presilhas amarelas.

- Você gosta? - Ela o provocou.

- Muito - Respondeu, finalmente ficando nervoso.

- Vem.

Mara saiu da sala em direção ao seu quarto e Luís a seguiu. Entre os dois cômodos havia um corredor, e nele, sem pensar, o jovem olhou para a sua mão.

Havia algo de errado. Tentava reconhecer as linhas mas não conseguia. Elas se embaralhavam na sua palma. Apenas quando Luís focava no lugar em que uma linha deveria estar é que ela aparecia corretamente.

“Isso não está certo”, ele pensou.

- Vem, Luís.

Ele podia ver Mara na cama, olhando para ele do quarto. Teve vontade de esquecer a sua mão e ir até ela, mas algo dentro de si dizia que aquilo era muito importante, e que, muito tempo atrás, em um tempo que ele nem se lembrava mais, queria muito que aquilo acontecesse.

“Tinha a ver com perceber se eu estava sonhando”, lembrou. Aquele pensamento o fez procurar por um interruptor de luz.

Do lado da porta do quarto onde Mara estava havia um grande interruptor amarelo. Luís o apertou e nada aconteceu.

“Estranho”, pensou. A lâmpada estava apagada, mas o corredor continuava iluminado. Apertou o botão novamente e viu a luz surgir dentro da lâmpada, um instante mais devagar do que deveria, mas a iluminação ao seu redor continuava a mesma.

Uma realização veio de repente: “estou sonhando”.

Agora ele via a diferença. Era como se tudo existisse de maneira fraca, exceto aquilo em que ele prestava atenção. Olhava para Mara e a única coisa que existia era ela. Olhava para o interruptor e Mara deixava de existir, e após alguns segundos, quando relaxava, coisas ao redor começavam a aparecer em segundo plano, desfocadas.

“O que eu quiser vai existir. Isso é tudo minha imaginação, só preciso aprender a controlá-la”. Olhou para a mulher na cama e concentrou-se, imaginando-a levantando o braço. Ela o levantou. Como se uma chave tivesse sido virada no cérebro de Luís, o sonho parou de acontecer sozinho, e ele se viu no poder.

Ao ganhar o controle, tudo ao seu redor desapareceu. Ele estava no meio do nada.

Lembrou-se do artigo que leu. Haviam diferentes níveis de domínio dos sonhos, e no mais forte apenas o que a pessoa imaginasse existiria, sem nada em segundo plano sendo projetado pelo inconsciente. “Parece que vim direto pro nível mais avançado”, pensou.

Imaginou a Mara numa cama a sua frente e o pensamento se materializou na hora. Ele se aproximou. Agora tudo o que existia era ele, a cama e Mara. Relaxou por um instante e tudo desapareceu. Ele estava no meio do nada de novo. Esforçou-se para fazer Mara e a cama reaparecerem, e conseguiu, mas a mulher não fazia nada, apenas estava lá, da maneira em que ele a imaginava.

Tinha que concentrar-se para que ela continuasse existindo. Suas curvas, seu olhar, seu sorriso, nada daquilo existia mais sozinho, como antes, tudo dependia dele imaginar.

“Isso não é muito diferente de fantasiar acordado”, pensou. Tocou a pele da mulher. Não sentiu nada. Imaginou a textura e a temperatura, e de certa maneira a sentiu. “Isso não é um sonho mais. É só imaginação.” A decepção fez com que ele se desconcentrasse e tudo desapareceu novamente. Dessa vez ele imaginou a Megan Fox na sua frente. Tocou-a e o resultado foi o mesmo: teve que imaginar a sensação. “Isso é ridículo. Eu já me imaginei tocando essas duas um milhão de vezes. No sonho deveria parecer real!”.


O sonho foi interrompido pelos berros de um despertador. Xingando, Luís o desligou. Por instinto ele abriu seu diário de sonhos na página daquele dia, destampou a caneta Bic e olhou para a folha em branco por um segundo. Fechou a caderneta com a caneta no meio e a atirou para o outro canto do quarto. “Que merda”, ele pensou, frustrado. Não anotou mais seus sonhos.

Naquele dia o jovem lutou contra o vício e não olhou nenhuma vez para a palma de sua mão. Quando via um interruptor tinha vontade de xingá-lo. Sentia-se enganado e traído.

Parte de si ainda negava que aquilo realmente acontecera. Enquanto trabalhava, fechou os olhos e imaginou-se tocando a Megan Fox pelada. A sensação era exatamente igual à do sonho. O que ele havia visto e sentido enquanto sonhava não era nem um pingo mais real do que sua imaginação era normalmente, e ele não se considerava alguém com uma imaginação super fértil. Todas aquelas semanas de treino, o ridículo que passara na frente das pessoas ao olhar para sua mão o tempo todo, tudo aquilo para nada. Para um sonho de merda que nem podia ser chamado de sonho.

- Tá dormindo? - Perguntou Pedro, voltando do banheiro.

Luís abriu os olhos e fingiu trabalhar.

- Ou tá sonhando que nem A Origem? - Pedro riu alto com seu comentário, sentou-se e abriu seu lap top com um sorriso no rosto.


Ao chegar do trabalho, Luís comeu um miojo, colocou o pijama e tomou um remédio para dormir, que gostava de ter em casa para uma emergência. Deixou a louça acumular mais um dia. Ainda não eram nem 8 horas, mas ele apagou a luz do quarto e se deitou.

Não sabia exatamente aonde queria chegar, mas precisava sonhar. Ele se perguntou se “acordaria” outra vez dentro do sonho. Se acontecesse, talvez ele pudesse fazer tudo sentir mais real do que na noite passada. Seria bom. Mas ele torcia para que nada disso acontecesse. Ele queria ter um sonho normal, sem lucidez nenhuma. Um sonho que o enganasse até alguns segundos após acordar.

Um facho de luz azulada entrava pela abertura por entre as cortinas e se estampava na parede. Ficava mais forte e esbranquiçado quando um carro passava na rua. Luís assistiu aquilo por uma meia hora.

Ele não percebeu a transição, mas se encontrava em lugar nenhum, no meio do nada. Lá não era escuro, mas também não era claro. Simplesmente não era nada.

Lembrou-se de uma postagem que leu no Reddit, de um cara tentando entender como é possível que cegos simplesmente não enxergam, ao invés de ver tudo escuro. Alguém havia explicado pedindo para que o OP fechasse os olhos. “Tudo o que você vê é preto, certo?”, dizia o comentário. “E o que você vê atrás de si? Tudo escuro também? Não, você simplesmente não enxerga nada atrás de si. Não é preto nem branco, simplesmente não existe”. Assim era o nada ao redor de Luís.

Ele já estivera ali antes. Na noite anterior, assim que começou a sonhar lucidamente e tudo ao seu redor desapareceu, mas dessa vez o jovem soube que estava sonhando no instante em que adormecera e aparecera ali. Nem tivera a chance de ter um sonho não lúcido. “Merda. Será que vai ser assim a noite inteira?”

Resolveu pelo menos tentar se divertir. Lembrou-se do comentário do Pedro sobre Inception e tentou criar uma cidade ao seu redor, como no filme. Imaginou uma rua com calçadas. Não era ultra-realista como ele esperava que seus sonhos lúcidos seriam, era apenas tão real quanto sua imaginação. Ele se perguntou se sempre sonhara assim, tudo meio fora de foco, meio descolorido.

Concentrou-se no chão e, após alguns segundos, conseguiu detalhá-lo bem. O asfalto brilhava e a calçada era feita de paralelepípedos, todos perfeitos e do mesmo tamanho. Grama crescia aqui ou ali, por entre as pedras.

Imaginou um prédio ao seu lado, uma torre de cimento e vidro. Decorou-o com um portão de ferro, alguns degraus levando até a porta de entrada e uma portaria vazia.

Percebeu que, ao imaginar o prédio, havia deixado de lado o chão, que desaparecera. Imaginou-o outra vez, agora se esforçando para manter as duas coisas na cabeça ao mesmo tempo.

Conseguiu fazer ambas as coisas existirem juntas, mas não pôde mantê-las tão detalhadas quanto antes. Se o asfalto brilhava e grama crescia na calçada, o prédio era apenas uma torre cinza sem graça. Se o prédio tinha janelas e uma fachada bonita, o chão tornava-se apenas uma sombra aos seus pés.

“Talvez se eu praticar bastante eu consiga”, pensou, mas não queria treinar aquilo. Não era divertido. Qual era o ponto daquilo tudo? Ele só queria voltar a sonhar normalmente e deixar esses sonhos lúcidos pra trás.

Esqueceu o pedacinho de cidade ao seu redor. Tudo desapareceu e ele voltou ao nada.

Quis relaxar como se tentasse dormir, mas não tinha sono. Claro, já estava dormindo. Sua mente estava relaxada mas em alerta, como quando ele tomava café no escritório mas continuava com preguiça de trabalhar.

Ficou apenas pensando na vida, esperando as horas passarem. Não havia maneira de checá-las. Achava que haviam se passado duas horas, pelo menos. Três talvez. Esperou mais.

Considerou que teria que esperar oito horas até o despertador acordá-lo. Ou mais, porque havia dormido cedo. “Pensei que o tempo nos sonhos passasse mais rápido ou algo assim. Merda de filme”.

Talvez em um sonho de verdade o tempo parecesse passar de maneira diferente, mas ele podia chamar aquilo de sonho? Só estava com sua mente acordada enquanto dormia, nada mais.

Após o que pareciam ter sido realmente oito horas, acordou. Seu corpo estava descansado, mas sua mente não. Era difícil se concentrar em qualquer coisa.

No trabalho ele não rendeu nada e em casa menos ainda. Deixou as tarefas domésticas para o dia seguinte de novo. A louça continuou acumulando e ele sabia que amanhã teria que usar uma camisa amassada, porque não tinha energia para passar.

Faziam dias que ele não falava com seus amigos e família, mas ignorou as ligações de sua mãe, apenas mandou uma mensagem de “está tudo bem, amanhã nos falamos”. Não queria conversar com ninguém naquele estado.

Perto da meia-noite se deitou. Mesmo cansado, a ideia de dormir e ter um sonho daqueles outra vez lhe parecia terrível. Passou a noite inteira jogando Dwarf Fortress e tomando Coca-Cola.


- Meu Deus, você está um caco! - Disse Pedro.

- Não consegui dormir.

Luís olhava para a tela do computador, mas não raciocinava. Os e-mails que chegavam pareciam estar em grego e as conversas ao seu redor não faziam sentido. Não comentou nada nas reuniões em que participou. Se alguém lhe pedisse para resumi-las ele não teria ideia do que foi tratado.

Era como se tivesse ficado mais de 48 horas acordado, já que duas noites atrás, quando havia dormido, não descansara sua mente. No fim do expediente esse número subiu para 56 horas.

As cores estavam diferentes e as palavras não faziam sentido. “Isso já é considerado alucinar? Acho que sim”. Quando olhava para o computador por muito tempo e depois para uma parede branca, via a tela estampada em negativo, desaparecendo aos poucos e aparecendo mais forte cada vez que piscava os olhos.


Naquela noite ele não teve escolha, dormiu. Nem se lembrava de caminhar até a cama e se jogar, mas percebeu quando apareceu naquele nada que eram seus sonhos agora. Lúcido outra vez. Foi quando teve a realização de que talvez nunca mais sonhasse normalmente, e pra sempre estaria “acordado” ao dormir. Talvez ao “virar a chave” no seu cérebro ele tivesse quebrado sua habilidade de sonhar para sempre.

O desespero bateu. Oito horas por dia daquele tédio e solidão para o resto de sua vida seria tortura. Tentou se entreter de alguma maneira.

Criou outro ser humano no sonho e tentou dar-lhe uma personalidade, mas ele só fazia o que Luís imaginasse. Voltou a tentar criar sua cidade. Talvez se fizesse uma bem grande teria como se entreter nela. Dessa vez não tentou detalhá-la demais e preocupou-se apenas em criar o maior número de objetos possíveis, sem fazer os outros desaparecerem. O esforço mental era enorme.

Foi quando percebeu que isso só o esgotaria mais, e seus dias seriam cada vez piores.

Sentou-se no nada e tentou descansar. Teve a ideia de meditar. Não sabia muito bem como fazer aquilo mas sabia que tinha que tentar não pensar em nada. Talvez conseguisse descansar seu cérebro um pouco.

As horas passaram devagar e dolorosamente. Em nenhum momento ele sentiu que ficou menos lúcido, mas quando acordou Luís percebeu que a meditação o ajudou. Continuava exausto, mas sentia-se como se tivesse tirado uma soneca.

Nas noites seguintes ele continuou meditando, tentando usar sua cabeça o mínimo possível. Durante o dia ele lia sobre a prática e religiões orientais, o que ele teria achado ridículo alguns meses atrás. Seus dias voltaram a render, tanto no trabalho quanto em casa, e ele se sentia relativamente descansado. Voltou a comer bem, lavou a louça, ligou para a sua mãe e voltou a sair com seus amigos.

Seus dias eram bons, o problema eram as noites. Oito horas sem fazer nada além de meditar, todos os dias, sozinho, sabendo que a alternativa era sofrer de cansaço durante o dia. Houveram noites em que ele se rebelou. Imaginou-se em cenas de ação, duelando de espadas ou pilotando uma X-Wing. Outra noite passou o Episódio IV inteiro na sua cabeça, como se assistisse ao filme. O resultado dessas noites rebeldes era sempre o mesmo: no dia seguinte era como se não tivesse descansado, e ele prometia para si mesmo que naquela noite não cometeria o mesmo erro.

Após alguns meses ele estava pró em meditar. Já tinha até uma rotina. Criava uma versão simplificada de seu quarto, mas todo “zen”, com um bonsai de pinheiro-negro e um daqueles jardins de areia japoneses, uma janela que sempre dava para um céu azul por onde entrava seu cheiro favorito, o de grama cortada, e silêncio completo. Depois se sentava num puff super confortável, fechava os olhos e tentava não pensar em nada até acordar - o que fazia o quarto desaparecer, mas o importante era aquele relaxamento inicial. Ficou tão bom nisso que não gastava nem cinco minutos para criar o quarto, e conseguia descansar o resto da noite.

Ainda achava todo o papo espiritual das religiões orientais pura baboseira, mas aprender a não pensar em quase nada havia salvado sua vida.


Uma noite ele sentou-se naquele puff, fechou os olhos e prestou atenção em seus pensamentos. “Ainda tenho oito horas disso”, “não vou conseguir me concentrar hoje”, “amanhã tenho muita coisa pra resolver no trabalho”, “toda noite será assim, pro resto da vida?”. Como sempre, no começo seus pensamentos abundavam, mas Luís foi vencendo-os um a um, até que conseguiu manter o foco apenas em uma coisa: um ponto imaginário a cerca de dois metros à sua frente. Toda a sua energia mental estava focada naquilo. Algumas horas se passaram e então, como que num passe de mágica, ele esqueceu de prestar atenção no ponto.

Não percebeu quando passou a não pensar em nada, como havia lido que era possível, mas sempre duvidara. Sua autoconsciência naquele momento era como o nada lá fora: nem escura, nem clara, apenas não existia.

- Oi Luís.

A voz era grossa, mas feminina. Luís abriu os olhos assustado. Estava no meio daquele nada que já conhecia bem. Olhou ao redor, procurando alguém.

“Devo ter imaginado isso” pensou, frustrado de ter que começar a meditação de novo.

Imaginou o quarto. O chão, o puff, o bonsai, a porta, a janela, dessa vez até colocou um aquário em um canto porque estava sentindo-se criativo. Sentou-se no lugar de sempre, sentindo o cheiro de grama cortada.

Alguém bateu na porta.

Luís levantou-se de supetão. “Que porra é essa?”. Ele olhou para a porta assustado, tentando perceber se realmente tinha alguém do outro lado. Imaginou que lá fora o sol brilhava. Debaixo da porta a luz entrava em três fachos, como se houvessem dois pés parados do lado de fora. Certamente ele não estava imaginando aquilo de propósito.

Criou um olho mágico na porta e espiou. Do outro lado havia uma pessoa com longos cabelos pretos.

- Deixa eu entrar, Luís - ela disse.

Ele hesitou por um instante, mas ter um amigo nessas noites não seria nada mal. “Foda-se”, pensou, e abriu a porta.

A criatura entrou quase que violentamente, mas sorrindo. Olhava ao redor com muito interesse. Ela não usava nenhuma peça de roupa, mas seu magro corpo era coberto de pêlos, como os de um cavalo, e os longos cabelos pretos chegavam à cintura.

- Hm, não quer se sentar? - Luís apontou para a cama, sem jeito.

Ela se acomodou e bateu com uma mão peluda ao seu lado, sinalizando para que Luís se sentasse também.

Ele obedeceu.

- Quem é você? - O jovem perguntou.

Ela o olhou com grandes pupilas que cobriam quase todo o espaço branco dos olhos, que estavam abaixo de grossas e bagunçadas sobrancelhas. Quase sem queixo, seu rosto terminava em uma larga boca que ia de orelha a orelha.

- Não sei - ela respondeu, com toda a honestidade do mundo.

- Mas como você veio parar aqui, na minha cabeça, se eu não estou te imaginando?

Ela riu. Seus dentes eram pontudos.

- Eu sempre estive aqui, você que chegou faz pouco tempo.

- Então por que eu não te vi antes?

- Eu não pude fazer muita coisa desde que você assumiu o controle. - Ela já havia perdido o interesse no jovem e voltara a olhar ao seu redor. - Você me bloqueou.

- O que você fazia antes?

A mulher se levantou para olhar de perto o aquário.

- Se lá, o que eu quisesse - disse, batendo no vidro.

- Mas sempre aqui, na minha cabeça?

- Sempre aqui. Onde mais? - Ela pegou um peixe amarelo e o jogou em sua boca. Luís tentou disfarçar o choque - Mas, aparentemente, - ela continuou, mastigando - você prefere apertar um interruptor do que transar com a Mara vestida de Leia, o que eu posso fazer?

Ele ficou sem palavras por um instante, tentando entender o sentido daquilo tudo.

- Você controlava meus sonhos?

- Boa parte sim. A maior parte não.

- A maior parte eu que criava, certo? Meu inconsciente que criava?

- Sei lá - Ela fez uma cara como se nunca tivesse ouvido aquela palavra. - Só sei que você tirou todo mundo da jogada, né?

- E o que aconteceu com ele?

Ela deu de ombros, sinalizando que não sabia.

- E por que foi você que apareceu agora, e não o meu inconsciente?

Ela deixou o aquário de lado e o olhou seriamente.

- Olha, eu não sei responder essas coisas. Essas palavras que você usa… É difícil explicar o que se passa por aqui. - Ela foi até o bonsai, arrancou uma folha em formato de agulha e a cheirou. - Só sei que vi uma brexa e entrei. Fui mais rápida que qualquer outra coisa, acho. Só isso.

A mulher parecia não conseguir focar em algo por muito tempo. Luís apenas a observou, até tomar coragem e perguntar:

- Você pode me fazer sonhar como antigamente?

Ela o olhou surpresa, as grossas sobrancelhas arqueadas.

- Você quer isso?

- Quero.

- Eu… Sim, eu posso. Eu posso! Você só precisa me ajudar.

- Como?

- Senta num canto e fecha os olhos. Vou fazer umas coisas por aqui. Não me atrapalha!

- Tudo bem.

Ele sentou-se no puff e fechou os olhos. Já que teria que esperar, era melhor descansar. Esqueceu o quarto ao seu redor e focou apenas em sua mente.

- Não abre os olhos! - A criatura falou.

Luís a ouvia andando de um lado pro outro, como se estivesse muito ocupada.

- Vou fazer você não perceber que é um sonho. Você gosta de terror?

Ele demorou um instante pra entender a pergunta.

- Prefiro sci-fi e fantasia.

- Mas terror é legal também, né?

- Sim.

O jovem sentia e ouvia coisas aparecendo ao seu redor. Um ar frio chegou até ele, cheirando a umidade. Ouviu passos de outras criaturas. Uma, duas, três. Andavam de quatro, como cachorros.

Ele sabia que não estava imaginando aquilo, estava tendo um sonho de verdade, finalmente. Sentiu uma das criaturas aproximar-se de si.

Luís abriu os olhos. Estava em seu quarto novamente, acordado.

O dia passou devagar. A perspectiva de voltar a sonhar e de ter uma noite inteira de descanso fez com que ele apenas pensasse em dormir. Quando finalmente se deitou, após tomar alguns comprimidos, nem percebeu a transição.


Estava escuro. Ao seu redor coisas que ele não podia ver caminhavam e rastejavam. O chão era frio e lamacento. Ele não sabia onde estava, sabia apenas uma coisa: as criaturas procuravam por ele, e podiam farejar seus pensamentos.

Se escondeu no que parecia ser, pelo tato, uma abertura nas raízes de uma árvore. Sentia pequenas coisas que viviam ali rastejando e subindo em seu corpo. Tentou não pensar em nada enquanto tremia de frio e medo espremido naquele buraco.

Um pensamento fraco acendeu em sua cabeça. Havia algo que ele deveria se lembrar. Algo óbvio que explicaria o que era tudo aquilo, como ele chegara até lá. Por um instante ele deixou aquele pensamento tomar conta de sua cabeça.

Uma das bestas saltou até sua frente, grunhindo. Ele ouviu uma segunda, uma terceira, e muitas outras criaturas se aproximarem. Elas sabiam que ele estava lá.

Antes que pudesse tentar qualquer coisa, dentes afiados espremeram seu braço e o puxaram com uma força descomunal. Luís sentiu diversos focinhos em seu corpo, cada um arrancando um pedaço de carne.

Enquanto sentia seus órgãos sendo arrancados do seu corpo, ele ouvia o rugido dos animais. Misturado com aquele som, ouvia também uma risada grave de mulher.


Luís acordou antes do despertador tocar. Checou no celular: apenas um minuto para o alarme. Desligou-o rapidamente. Adorava quando isso acontecia. Havia dormido tudo o que tinha que dormir e não teve que ouvir nenhum barulho. Riu de felicidade. "O dia começou bem", pensou.

Levantou-se e considerou o que comer. Acabou se decidindo por fazer ovos mexidos com tomate, requeijão e um presunto que ele tinha que usar antes que estragasse. Colocou "Cantina Band" pra tocar enquanto cozinhava, assobiando a melodia apenas de samba-canção.

Estava de bom humor. Por que não estaria? Fazia mais de um mês que ele dormia maravilhosamente bem. Tinha pesadelos todas as noites, mas acordava descansado, ao contrário da época dos sonhos lúcidos. Agora seu cérebro conseguia relaxar durante a noite, ainda mais do que quando meditava dormindo.

O dia se passou sem qualquer acontecimento relevante. Mais uma noite no escuro, desprotegido, ouvindo ruídos terríveis ao seu redor. Outro dia. Outra noite. E outra. E outra. As vezes era atacado durante o sonho. Sentia sua pele sendo rasgada por centenas de dentes e as bestas saltando de todos os lados para provar sua carne. Outras noites apenas se agachava e chorava, tentando entender aonde estava, e o que havia feito para merecer aquilo. Tremia de medo das coisas ao seu redor. Durante os pesadelos tinha a sensação de já ter estado ali outras vezes, de ter sido atacado e comido vivo, mas não entendia porque havia voltado, e se um dia escaparia de vez.

Durante o dia estava feliz. Produzia bastante no trabalho, via seus amigos e sua família. Depois de meses finalmente sentia-se totalmente descansado, mas as vezes, quando estava sozinho em casa ou no banheiro da firma, fechava os olhos e via cenas horríveis. Criaturas com presas gigantes esperando a noite para lhe caçar. Elas estavam lá ainda, escondidas num cantinho da sua mente. Ele se lembrava dos sonhos quando estava acordado, era quando dormia que não se lembrava de onde veio.

Ao deitar tinha receio de dormir. Sabia que os pesadelos estavam fazendo bem para ele, mas o medo era inevitável. Fazia duas semanas que ele tomava remédio para dormir todas as noites, e pegava no sono encolhido, abraçado no travesseiro. “Talvez se eu me esforçar um pouquinho pra sonhar lucidamente, só um pouquinho…”, pensou já grogue, enquanto o quarto desaparecia ao seu redor.

Estava encolhido, escondido dos monstros na escuridão. Tentava não pensar em nada para não os atrair, mas um pensamento rápido invadiu sua cabeça: aquilo poderia ser um pesadelo. Estava tão escuro que não podia ver sua palma da mão. Não havia interruptores por perto. Sabia que se imaginasse algo e aquilo acontecesse provaria que estava em um sonho, mas só de tentar isso já atrairia as bestas. Sentiu uma se aproximar, farejando. Podia ouví-la se movendo no escuro. “Foda-se”. Imaginou o local em que a criatura estava sendo engolido por labaredas.

Acendeu-se uma fogueira imensa e toda a floresta se iluminou de dourado. O monstro uivava. Olhos por todos os lados voltaram-se para Luís enquanto ele se esforçava para manter aquele pensamento e a chama acesa. Colocou fogo em outro. E mais um. Cada labareda criava compridas sombras pela floresta.

Monstros saltaram em sua direção por todos os lados. Ele imaginou-se um mago, criando uma barreira de proteção ao seu redor. Uma esfera invisível lhe protegia dos ataques. Era difícil imaginar tanta coisa ao mesmo tempo e apenas um dos monstros continuou aceso. Estava imóvel. Deitado, queimava como uma pilha de carvão.

- Idiota! - Era a voz da mulher que havia prometido o ajudar.

As criaturas rodeavam a barreira protetora. Luís, com cuidado para não a tirar da cabeça ou a enfraquecer sem querer, conseguiu imaginar outro monstro pegando fogo. Assim que teve certeza que esse havia morrido, colocou fogo em mais um. “Posso passar a noite inteira assim”.

-Idiota! Estou te ajudando!

Luís só percebeu que desviou sua atenção da barreira por um instante quando uma pata gigante bateu em seu corpo, lançado-o ao ar. Chocou-se contra uma árvore a metros de distância e caiu no chão.

Sentia sua roupa rasgada nas costas e o sangue escorrendo por seu corpo. A dor era insuportável. Tentou tirar seu braço esquerdo de baixo de si mas ele não respondia. Rolou para sair de cima do braço e sentiu sua costela, certamente quebrada, cortando sua carne por dentro com cada movimento. “É só um sonho”, pensou levantando-se devagar.

Estava escuro novamente e Luís podia ouvir os monstros correndo em sua direção.

Idiota! - a voz agora vinha de perto do jovem - Você pediu por isso!

Luís correu até ela, imaginando-se segurando a empunhadura de um sabre, e com um estalo metálico um facho de luz saiu do cabo e iluminou o lugar de vermelho. Ele viu a expressão de surpresa no rosto animalesco da mulher quando a partiu em dois.


Acordou. Mas não estava no seu quarto, estava de volta àquele nada dos seus sonhos lúcidos. O nada que não era nem frio nem quente, nem escuro nem claro.

“Estou sonhando ainda. Voltei a sonhar lucidamente”. Ele olhou ao redor, como se procurasse alguém que pudesse ajudá-lo. “Não… não…”.

Acordou de verdade, suado, com o despertador tocando. Levantou-se e se arrumou para o trabalho de forma automática, pensando em como seria sua vida a partir de agora. Matara a única coisa que pôde o ajudar. Voltara a sonhar lucidamente. Saiu de casa em direção ao ponto de ônibus.

Suas pernas estavam bambas. Teria que passar oito horas todos os dias sozinho, sem ter o que fazer, para o resto de sua vida. Não descansaria mais. Enlouqueceria.

Atravessou a rua tão perdido em seus pensamentos que nem viu o que lhe atingiu.


O nada não era nem preto, nem branco. Luís não sabia por que estava sonhando. Ele ouvia vozes que vinham do mundo lá fora. Pessoas que ele não conhecia gritando. Ouviu familiares. Alguns falavam pra ele que tudo ficaria bem. Reconheceu a voz de sua mãe.

Esperou horas fazendo o que costumava fazer quando sonhava lucidamente: meditando, imaginando algo, passando um filme em sua cabeça. Só quando, durante uma conversa da sua mãe com um médico, Luís ouviu a palavra “coma”, que ele entendeu quanto tempo passaria naquela tortura.
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2018.12.14 16:10 MarshKun Pai Trans #1 - Roupas

Oi gente.
Vocês devem estar se perguntando o que diabos é isso de pai trans. Bom, esse é um projeto que eu estou trazendo para vocês.
Eu percebi que tem algumas coisas que eu nunca aprendi com meu pai, como por exemplo como me barbear, me vestir, como me portar e alguns conselhos sobre a vida, e etc que eu sempre quis aprender com ele, mas nunca tive a oportunidade.
Então eu pensei: Eu posso ser o pai trans de alguém. Ensinar todas essas dicas, essas coisas que eu tive que aprender com os anos sobre como me portar, como me vestir e como fazer algumas coisas que eu nunca tinha feito antes, para vocês. Eu espero que vocês gostem dessa série que vai ser provavelmente quinzenal ou semanal, dependendo do tamanho dos posts.
Atenção: Para quem é mulher trans, fique tranquila! Eu estou olhando com as maravilhosas mulheres trans do transbr para a gente conseguir fazer o Mãe Trans, então fiquem ligadas que logo logo a gente lança uma edição para vocês.
Mas enfim, hoje eu quero tentar ajudar vocês que são homens trans a se vestir melhor com algumas dicas que eu aprendi durante o caminho da minha transição. Tenham em mente que em relação a roupas eu sou um cara bem… Careta, digamos assim. Eu uso normalmente muita roupa social, então o meu estilo pode não ser o mesmo que o seu, e por isso, qualquer outra dica deixada nos comentários vai ser massa para que a gente possa atingir a maior quantidade de estilos e dicas possíveis.
Além disso eu vou em cada post alguns links úteis para que vocês possam fazer a pesquisa por si próprios e achar o estilo que mais se alinha com você. Então vamos lá!

Calças:

Caso você ainda não tenha começado o tratamento com a testosterona, prefira pegar calça de irmão, de pai, de amigo, etc, por que a sua gordura corporal (que eu vou chamar de GC por que eu vou falar muito esse termo aqui) vai mudar com o uso da testosterona, e pode ser que as calças não caibam mais em você ou simplesmente não tenham um caimento tão legal assim depois que você já estiver mudado.
Caso você não possa pegar as calças de outras pessoas, ou simplesmente não quer passar pelo tratamento hormonal, compre uma calça mais quadrada, por que elas deixam as suas pernas mais longas e disfarçam as curvas do corpo. Calças retas também são uma boa pedida, por que elas dão a impressão de emagrecer a pessoa, ou seja, elas retiram muito algumas curvas que você possa ter. Existem vários outros tipos de calças, e vale a pena olhar qual fica melhor com você.
Depois da mudança na GC os mesmos conselhos se aplicam, mas agora você pode ousar um pouco mais usando uma calça menos quadrada, se se sentir confortável.
Independente do seu estágio de transição ou não, prefira cores mais escuras, sóbrias. Azul marinho, bonina, verde escuro, etc. Cores muito chamativas e claras normalmente não são muito usadas, e quando são, são usadas com extrema moderação, normalmente num par com camisas escuras e pouco chamativas. A calça não tem que combinar com a camisa, tem que complementar ela, tenha isso em mente.

Camisas:

Independente se você tiver feito a mastectomia ou não, você vai ter um pouco de peito(ral), a questão aqui é como trabalhar com isso para obter um look mais reto e condizente com o resto do seu corpo, sem falar que você tem que ficar bonito, né?
Primeiramente quero falar com você sobre a maravilha da humanidade chamada brechó. Lá você encontra camisas sociais, blusas e muito mais em média por dez e vinte reais, e depois é só ir na costureira (ou entregar pra sua avô caso ela seja legal e saiba costurar) e pedir para ela costurar para o seu tamanho, o que em média fica de 20 a 40 reais. É muito mais barato que sair por aí comprando camisa de 110 reais, e vai ficar muito melhor por que vai ser feito pra você.
Só se atente a uma dica crucial: Você pode levar na costureira roupas alguns números maiores que os seus (ou fazer como eu e roubar as camisas sociais que meu pai não usa mais), e iguais ao seu número, mas nunca menores que o seu número por que a costureira não vai conseguir tirar tecido do nada para aumentar a roupa para você, ok?
Bom, para quem não está usando binder ainda, uma dica é fazer sobreposições. Colocar uma roupa por cima da outra, como por exemplo, uma blusa mais larga (mas não larga demais para não dar a impressão de desleixado) com uma camisa xadrez por cima.
Usar cores mais sóbrias também sempre é uma boa. Evite camisas apertadas e tente melhorar a postura. A gente acha que ficando mais corcunda vai ajudar a esconder os peitos, mas na real, isso só prejudica a sua saúde a longo prazo.
Mas e se você já usa binder? Eu usava o da Underworks e ele é extremamente confortável, posso indicar sem medo pra vocês. Mas se o dólar estiver caro demais e você for comprar um binder nacional ou vá você mesmo fazer um, tenha em mente algumas coisas:
ᴾˢˢᵗ: ᴺᵃ ʷᶦᵏᶦ ᵈᵒ ˢᵘᵇ ᵗᵉᵐ ᵐᵃᶦˢ ᵃˡᵍᵘⁿˢ ˡᶦⁿᵏˢ ᵈᵉ ᵇᶦⁿᵈᵉʳˢ ᵉ ᵐᵘᶦᵗᵒ ᵐᵃᶦˢ ᶜᵒᶦˢᵃ
Já que tiramos essas coisas do caminho, posso voltar a falar das camisas. Bom, supondo que você ja esteja usando T e a sua GC já tenha se realocado, você pode usar algo um pouco mais grudado. Supondo que a sua postura esteja melhor, camisas slim ficam sensacionais nesse estágio, por que elas ajudam a esculpir o seu corpo de uma maneira mais quadrada e você parece mais forte e imponente.
Evite usar estampas demais, elas dão uma impressão meio adolescente (a não ser que você seja um adolescente), prefira camisas sem estampas e com cores solidas, por que elas são super versáteis e podem ser usadas com praticamente tudo.

Sapatos e meias:

Em relação a sapatos as dicas continuam as mesmas de todo o resto. Evite cores vibrantes, e se for usar, use com moderação, e balanceando com as cores do resto do seu look. Tem um artigo sobre os tipos diferentes de sapato aqui.
Sobre meias, tem um ótimo artigo falando como usar elas aqui. Mas em suma eu diria para evitar usar meias brancas, com exceção de quando for fazer algum exercício, por que elas servem para isso, e para nada mais. Se eu ver algum homem trans usando bermuda com sapatênis e meia branca aparecendo eu vou ter um treco aqui, hein!
Pra finalizar as coias, quero te dar uma dica simples. Não tenha medo de inovar, de procurar estilos novos que possam ficar bons em você, ou que nem fiquem tão bons assim. Procure provar tudo que você puder, por que geralmente a gente tem que refazer nosso armário todo, então é sensacional poder criar algo do zero, algo que fique bom em você e reflita quem você é.
____________________________________________________________________________
Eu vou falar mais sobre roupas e vou dar algumas dicas mais específicas sobre se vestir (como fazer um nó de gravata, dicas sobre dobrar as mangas da camisa, como usar um terno, estilos diferentes e mais específicos, tipos de colarinho, acessórios, chapéus e etc) num próximo post se vocês quiserem mais deles. Além de falar de muitas outras coisas mesmo. Se alguém tiver alguma dúvida, pergunte nos comentários que eu vou tentar responder com a melhor das minhas habilidades.
Enfim, valeu por ter lido até aqui, e se essa serie continuar, te vejo na próxima!
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2018.03.07 20:51 vs_fail Minha (péssima) experiência com a "crise dos vinte e tantos anos" até então

Oi. Sou de SC, moro em Lisboa, tenho 22 anos e quero compartilhar algumas experiências que tive durante esse período de crise e pedir aconselhamento de quem já passou por situações semelhantes.
Só para pontuar, gostaria que meu primeiro text no reddit fosse uma conquista badass: alguém que se f*deu muito, encarou uma porrada de adversidades, conseguiu passar por cima e começou a compartilhar uma boa exp de vida. Masssss esse não é meu caso, por enquanto.
Infelizmente, só tenho me f*dido nos ultimos anos e isso tem afetado muito meu psicológico e emocional, me fazendo acreditar seriamente que sou um fracassado em tudo e assíduo cometedor de erros.
Sou filho de pais separados (por conta da dependência química de um deles) e hoje, mesmo que em menor parte, isso ainda me afeta. Mas acredito que a coisa toda se agravou nos ultimos 5, 6 anos pós ensino médio e no início dos 20 e tantos, por conta de outras frustrações.
Me frustrei na vida acadêmica, profissional e pessoal:
Nunca fui um bom aluno e confesso que nem mesmo me graduei no ensino médio por mérito próprio, pq alterava minhas notas (sim, eu sei o quão antiético isso é). Entrei de paraquedas num curso técnico de TI e nem sequer consegui o certificado de conclusão, pois nunca terminei os relatórios finais. Sou péssimo nessa área, não aprendi a programar de verdade e me vejo pior que um script kiddie. Inclusive, depois disso ainda entrei numa universidade federal (pura sorte e baixo índice de concorrência) na mesma área e, obviamente, não consegui terminar pq não aprendia nada e detinha um enorme desinteresse. Resumindo: burro e inconsequente.
Sempre me sujeitei a péssimos empregos pq sempre soube que era um péssimo programador, não iria progredir na carreira e na primeira oportunidade, o mercado de trabalho me jogaria para fora. Minha carteira de trabalho é horrível, algumas semanas de trabalho numa empresa, poucos meses em outra...
Nunca encontrei algo que de fato me motivasse a ser melhor para aprender e trabalhar.
Também tive problemas com baixa autoconfiança, baixa autoestima, timidez e obesidade desde criança. Eram problemas que afetavam meus relacionamentos desde cedo, se é que dá pra dizer que algum dia eu já tive um.
Enfim, toda essa série de desgastes, erros e fracassos no início dos 20 e poucos anos, acabaram resultando numa depressão. Passei terríveis 7 meses dentro de casa, mal conseguia sair da cama. 2015 foi de longe o pior ano da minha vida.
Porém eu tinha a certeza que precisava mudar. Juntei o máximo de esforço e no ano seguinte comecei a cuidar da minha saúde: fui aos poucos me exercitando, melhorando a alimentação, cuidando mais da higiene mental, voltando a trabalhar num emprego simples e etc.
No final de 2016 estava colhendo os frutos da boa saúde física e emocional que tivera construído ao longo do ano.
Até que em 2017 tive o melhor ano da minha vida em todos os aspectos, principalmente com relação ao meu círculo de amizades (que melhorou muito), eram pessoas próximas que me impulsionavam a me sentir bem. Consegui um bom trabalho, sendo convocado por um concurso público da minha cidade. A autoestima e autoconfiança subiram para níveis dos quais nunca tinha experienciado antes. Eu estava saindo bastante e de verdade curtindo o momento.
Eis que aparecem duas situações na minha vida que eu nunca tive: uma oportunidade de morar fora e uma mulher pela qual eu sentia algo especial. Obs.: Acredito que surgiram na minha vida por conta do bom momento pelo qual eu passava, talvez pela "lei da atração" ou algo do tipo, não sei explicar.
Ela é a personificação da pessoa que eu gostaria de ser: bonita, decidida, recém-formada numa daquelas 3 "profissões principais", trabalhadora, muito simpática, que todos gostam de estar por perto e incrivelmente inteligente.
A oportunidade de morar fora era para em dezembro de 2017 ir para Portugal. Um passo importante para mim: a chance de estudar num grande pólo educacional, ter uma experiência internacional da qual eu jamais imaginava e, finalmente, dar uma guinada na vida profissional.
Pra finalizar a história: fiquei inseguro de ter um relacionamento com alguém que é extremamente foda, mesmo começando a ver melhoras nos meus defeitos e erros (afinal, o que ela via em mim?). Acabei optando por sair do país, com direito a despedida memorável e tudo mais.
Imigrei com minha família e por conta da situação burocrática, não posso sair do país, não posso trabalhar e, vai levar ainda alguns meses para começar a estudar.
Agora estou numa situação pior do que a de 2015, na qual me encontrava: Estou longe dos meus amigos e círculos de amizades que tanto me ajudaram e me impulsionaram. Perdi o trabalho como concursado na minha cidade. Voltei a autossabotar minha sanidade mental. Não estou mais cuidando da saúde. Perdi a chance de continuar aproveitando o excelente ano que estava tendo e estou profundamente arrependido de ter tomado a decisão de mudar de país. Não está sendo o sonho como imaginei que seria.
Talvez também tenha perdido a chance de ter um relacionamento sério com uma pessoa incrível, que eu percebi que amo de verdade quando cheguei aqui. Tudo por conta do medo, da vergonha e da insegurança.
Quando tudo estava indo bem e aparentemente sem fracassos ou erros, eu falhei de novo. Foi tudo pelo ralo.
Não paro de olhar para mim e enxergar apenas um enorme vazio.
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Escritesia — 'Eu já tive dias piores. Já superei machucados...

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  10. Lucimara Santos - YouTube

Que eu não posso conviver com meu horário de trabalho E eu não posso providenciar o tipo certo de vida para minha família Pois cara, esses malditos vales-refeição não compram fraldas Este enigma fácil provavelmente não vai fazer você chorar (ou será que fará), mas definitivamente vai fazer você passar por cima dele. Bem, a única dica que posso lhe dar é ouvir o seu ... Sua mãe costumava dizer que não gostava dele 'com um rato idiota e sujo por aí', como ela o chamava. Ela ficava apavorada com o rato, temendo que ele pudesse ter algum tipo de infecção, e ... Para um homem é muito confortável manter as duas, por isso que você precisa focar no que você realmente quer e não passar por cima dos seus objetivos por ninguém, porque simplesmente não ... O Mãe mantive as coisa na vida sinto muitas vezes dia eu te Medo e do que tive medo de ter uma falta de que ver mas do quando eu tive motivos de chegar e chorar não tive motivo de Ser quem eu ... NSC - Lingua de Lagartixa ' - iaê - pow iaê alex - quem tá falando meu vei - é o invasor aqui vei se liga só fiquei sabendo que o Patrão rodou ai e tem cabana na jogada e ai vamo cobrar Essa ... 05 de novembro de 2014 Apresentação: Júlio Cesar Sanchez Advogado, especialista em Direito Civil e Processual, do Trabalho e em Direito Laboral. Professor e Coordenador da Escola de formação ... conversando até altas horas deixando o tempo passar ... eu dei a volta por cima e a dor que você causou eu transformei em várias rimas.. ... que um dia eu sempre quis já que eu não posso te ... Tu és tudo o que eu mais quero O meu fôlego, Tu és Em Teus braços, é o meu lugar Estou aqui, estou aqui Pai, eu amo Sua presença Teu sorriso é vida em mim Recarregar celular e não passar o número porque namora ... NAMORA COMIGO POR 1 MINUTO? ... Evandrão 89,974 views. 8:44. MELHORES PEGADINHAS - 2 ANOS DE NÃO É SÉRIO - Duration: 11:40. Não é ...